No Pequeno Paraíso Italiano, o programa Operação Terra Forte beneficiará 20 produtores rurais ao longo das três etapas. Os nomes foram selecionados após um período de inscrições e análise técnica dos cadastros.
—A divisão dos beneficiários por município foi baseada no Censo Agropecuário do IBGE de 2017, com média de 5% do total de agricultores familiares por município. Para a inscrição, habilitação e seleção (dos nomes) foi considerado os artigos 5°, 6° e 7° do Decreto Nº 58.340, de 28 de agosto de 2025 (regulamenta o Programa de Recuperação Socioprodutiva, Ambiental e de Incremento da Resiliência Climática da Agricultura Familiar Gaúcha) – informa o extensionista rural da Emater, Adriano Gasperin.
Um dos paduenses contemplados pelo programa é o agricultor Ademir Gelain, 64 anos, que reside no Travessão Divisa. Hoje, com a ajuda do filho Marcelo Gelain, 34, ele se dedica ao cultivo de uva nas variedades Bordô, Lorena e Prosecco.
O produtor conta que soube da Operação Terra Forte por meio do Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (Comdap).
— Vi o regulamento da Operação Terra Forte e me inscrevi porque, na uva, eu sou sempre “um cara na frente”. Eu estou sempre me adiantando e o programa, se tu vai ver o regulamento, não é distribuição para o pessoal mais carente, é para o pessoal que o governo quer incentivar (na agricultura). Eu sempre trabalho em cima de todas as tecnologias da uva e estou sempre a par de tudo quanto é coisa — explica Gelain, que prossegue:
— Eu procuro estar sempre à frente e a gente nunca pode parar, porque a agricultura é um desafio. A hora que o cara para, que pensa que está bom (se não modernizar) volta para trás, mas nós temos que avançar.
O agricultor acredita que as tecnologias fazem toda a diferença no interior e atribui a qualidade de suas uvas ao investimento em inovações.
— Para começar, tenho a tabela das adubações e ela contém os 14 nutrientes que a parreira necessita. Além disso, tem toda uma nominata de adubação que estou usando. O que a análise manda e o que o agrônomo diz que precisa colocar, eu boto tudo para parreira. Inclusive, tenho sete hectares de parreira que estão 100 % irrigados.
Gelain comenta que teve que “estourar o orçamento de dois anos” para investir no sistema de irrigação para toda a sua propriedade, e que o benefício disponibilizado pela Operação Terra Forte seria importe para amenizar estas despesas e seguir investindo em melhorias e tecnologias.
— Eu gastei pesado, mas quero as coisas. A gente perde uma (safra) por seca, outra perde por geada, perde por granizo. Pelo menos da seca vamos nos defender — revela o agricultor, acrescentando que também está envolvido nas negociações que pretendem viabilizar a implantação do sistema antigranizo na Serra.
Ele cita, ainda, os investimentos na “casa” para armazenar os defensivos agrícolas:
— Eu tenho uma das mais modernas. Na parte de dentro, igual a minha, acho que não existe ninguém aqui da região que tenha. Hoje se você vai fazer uma casa dessas, com R$ 50 mil não faz. Está tudo certo, tudo registradinho e tem que ser assim porque daqui a pouco chega a fiscalização e tu vai gastar em multa — pontua.
O paduense também menciona que os contemplados pelo programa precisam dar uma contrapartida, para servir de “exemplo” aos demais agricultores:
— Vai ter Dias de Campo aqui (na propriedade) porque a gente tem que passar para frente as coisas (conhecimento). Não é só: “eu ganhei, que bom, tudo bem, e depois tchau”.
Gelain destaca a iniciativa como positiva para incentivar o agricultor a investir mais em sua propriedade e em novas tecnologias.
— É para tocar para frente as coisas, para ter mais produção, foram classificadas famílias que estão em busca de tecnologia. Isso é para erguer todo o trabalho do município, do Estado, é para levantar todo o agro. Por isso, considero que me encaixei bem nesse programa.
A listagem completa com os contemplados da Operação Terra Forte em Nova Pádua e Flores da Cunha podem ser conferidas acessando os sites das respectivas prefeituras.

