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Produtores de vinhos e bebidas alcoólicas buscam alternativas diante das mudanças no consumo

Novos produtos e estilos surgem como resposta a consumidores mais atentos à saúde, ao preço e a diferentes formas de consumir bebidas
Spaten com proteinas já está no mercado (Foto: Divulgação)

O mercado de vinhos e bebidas está em plena transformação. O fenômeno decorrente da disseminação das cantinas empresariais, as novas gerações que buscam produtos mais saudáveis, o crescimento das igrejas evangélicas que estimula seus fiéis a abandonarem as bebidas alcoólicas e o surgimento de gerações de abstêmios que por outros motivos não consomem bebidas alcoólicas vem desafiando produtores de vinhos, cervejas e bebidas alcoólicas a se adaptarem a estas transformações. Em tempos de dificuldades econômicas, aumento do preço dos insumos, da logística e dos tributos, o preço dos produtos também passa a ser fator decisivo para o mercado.

Alguns movimentos demonstram o quanto produtores no mundo todo, com visão estratégica, buscam se adequar às condições do mercado. A seguir, dois exemplos para conhecer e refletir.

AB InBev aposta em cerveja com proteínas e novas embalagens

A maior cervejaria do mundo e dona da marca Stella Artois, Corona e outras busca atrair quem bebe cerveja ocasionalmente e lança em alguns mercados produtos e cervejas com adição de proteínas e eletrólitos, além de ampliar sua atuação no segmento de bebidas para além da cerveja. Com este movimento, ela busca se adaptar aos novos hábitos de consumo de álcool.

Este movimento tem por objetivo aumentar o consumo entre pessoas que bebem cerveja com pouca frequência. Dentro deste grupo estão consumidores atentos ao orçamento. As decisões são baseadas em estudos e pesquisas de mercado que mostram oportunidades de crescimento quando o produto se ajusta à capacidade financeira do consumidor. Embalagens maiores que ofereçam mais quantidade por um preço menor também está neste movimento.

As cervejas sem álcool de diferentes sabores e a adição de proteínas e eletrólitos busca ocupar espaço na prateleira das bebidas energéticas.

Spaten com proteínas já está no mercado

Bordeaux lança o novo Claret

A mais importante e tradicional região vinícola do mundo, Bordeaux, na França, lançou neste ano um novo produto. Com mais de 50 subregiões identificadas por suas denominações de origem, a Apelação Bordeaux e Bordeaux Superior, lançam neste ano, com produtores elaborados em 2025, a Apelação Claret. Conhecida por vinhos de cortes com as tradicionais Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot, como principais variedades, em sua maioria vinhos encorpados, de médio e alto teor alcoólico e muito tânicos, envelhecidos em barris de carvalho, a denominação Claret segue um caminho totalmente diverso.

Ao recuperar a ideia original do Claret medieval — um tinto mais leve, fresco, frutado e de menor extração de taninos — a região francesa busca responder às mudanças climáticas, às novas tendências de consumo e à necessidade de atrair consumidores mais jovens.

A iniciativa, porém, encontrou uma certa resistência no Reino Unido, mercado historicamente ligado ao nome Claret. Os comerciantes reclamaram, não das características do novo produto, mas da denominação que para alguns, já era usada há cerca de dois séculos para identificar os tradicionais vinhos tintos de Bordeaux.

Tradicional região francesa lança produto mais leve, fresco e de fácil consumo

O que é o novo Claret?

O novo Claret é um vinho tinto elaborado para oferecer mais leveza, frescor e facilidade de consumo. A proposta busca se aproximar da forma como os primeiros vinhos de Bordeaux eram produzidos na Idade Média.

Entre suas principais características estão:

▪ menor extração de taninos;
▪ perfil aromático centrado em frutas vermelhas frescas;
▪ ausência de passagem por barricas de carvalho;
▪ possibilidade de consumo levemente refrigerado;
▪ graduação alcoólica mínima de 11%;
▪ até 7 g/L de açúcar residual, dependendo da acidez;
▪ possibilidade de utilização de qualquer variedade tinta autorizada em Bordeaux.

Segundo os responsáveis pela nova categoria, a flexibilidade no uso das uvas é uma resposta direta às mudanças climáticas e às necessidades de adaptação da viticultura.

A nova regulamentação vale para vinhos produzidos a partir da safra 2025. Os produtos elaborados sob as regras anteriores poderão continuar sendo comercializados normalmente, mas sem utilizar o termo Claret nos rótulos futuros, sendo identificados apenas como Bordeaux.

Este movimento vem de uma constatação: Bordeaux precisa se renovar para permanecer relevante. Mais do que uma mudança de nome, o novo Claret representa uma tentativa de reposicionar Bordeaux diante das novas gerações, conciliando tradição, adaptação climática e novas formas de consumir vinho. Resta saber se o mercado aceitará que um dos nomes mais históricos do vinho mundial passe a identificar um estilo totalmente diferente daquele que marcou gerações de consumidores britânicos.

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