Entre as autoridades que marcaram presença na abertura da 15ª Festa Colonial da Uva (Fecouva) e 5ª Festa do Moranguinho, no distrito de Otávio Rocha, em Flores da Cunha, estava o presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado estadual Sergio Peres (Republicanos). Em seu discurso, o parlamentar exaltou “as raízes, a união e a luta” dos imigrantes italianos e seus descendentes.
A solenidade ocorreu na noite de sexta-feira (20). Na manhã seguinte, o deputado visitou parreirais no bairro Nova Roma, acompanhado do vereador Luiz André de Oliveira, o Luizzão. Abaixo, confira os principais trechos da entrevista concedida ao jornal O Florense.
O Florense: O senhor participou da abertura da Fecouva. Provou do tradicional Menarosto?
Sergio Peres: Infelizmente, não fiquei para o Menarosto. Eu até ajudei a votar na comissão do projeto (de lei estadual) que criou o prato típico aqui de Flores da Cunha, iniciativa do deputado (Carlos) Búrigo. Mas já tinha um jantar marcado anteriormente e não pude desmarcar. Uma pena, porque o cheiro estava maravilhoso e a vontade era ficar. Quero parabenizar a comunidade. É muito importante ver como os imigrantes e seus descendentes mantêm vivas as raízes, a união e a luta pelo distrito. Otávio Rocha se mantém pela força da comunidade, da igreja, da associação e das pessoas.
Qual a importância de eventos como a Fecouva?
É um trabalho voluntário. O poder público ajuda, há patrocinadores, mas quem faz tudo acontecer é o produtor, o colono. Se eles não produzem a uva, o morango, não há o que comemorar. O agricultor enfrenta seca, pragas, granizo, as intempéries do nosso Estado. Nada garante a colheita e o investimento é alto, tanto em mão de obra quanto em recursos. Ainda assim, existe a fé e a determinação. Como costumo dizer: se o homem do campo não planta, na cidade não janta.
O deputado também visitou parreirais no bairro Nova Roma. Como foi a experiência?
Vim com o vereador Luizzão visitar os parreirais. Fui criado no interior, não aqui, mas também plantávamos uva, cana, milho, feijão, cebola. É muito bacana ver hoje esses parreirais prontos para colher, bem cuidados e limpos. Mas para chegar até aqui houve muito sacrifício e trabalho. Preparar a terra, desbravar, plantar e manter não é fácil. A gente que vem da roça sabe o quanto isso exige dedicação.
Como está a Assembleia neste ano sob sua presidência?
Queremos fazer um trabalho transparente e aproximar a Assembleia dos municípios. Não são as pessoas do interior que precisam ir até Porto Alegre. Nós, deputados, é que temos que vir às comunidades. Vou lançar um projeto de regionalização das reuniões, dentro da proposta do municipalismo, para ouvir as demandas das comunidades, do homem do campo, dos produtores. Precisamos fortalecer os municípios a partir do diálogo direto.
A questão das emendas parlamentares e da distribuição de recursos estaduais e federais é uma preocupação nos municípios. Como o deputado avalia?
As emendas são importantes, porque os deputados conhecem as dificuldades das regiões, ouvem prefeitos, vereadores, escolas, postos de saúde. Isso ajuda a direcionar recursos. Mas é triste ver que o município que produz e gera renda precisa depois ir a Brasília buscar aquilo que já foi arrecadado ali. Temos a Marcha dos Prefeitos, uma semana em que eles vão pedir recursos que deveriam estar mais próximos da população. O pacto federativo é injusto. Uma fatia muito maior vai para Brasília, enquanto os municípios ficam com uma parte menor, sendo que é lá que as pessoas precisam de saúde, estrada, educação e segurança. Não vou mudar isso sozinho, mas quero formar uma comissão com a FAMURS, parlamentares estaduais, deputados federais e senadores gaúchos para discutir mudanças na legislação e buscar mais recursos junto aos ministérios.

