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“Estou em um luto eterno”

Após ter perdido tudo em incêndio, Sandra Siqueira da Silva pede ajuda para reconstruir o lar de sua família

A data de 5 de setembro de 2023 jamais será apagada da memória de Sandra Siqueira da Silva, 49 anos. Naquela noite o clima frio e a neblina deram lugar a fumaça e ao calor do fogo, cujas chamas, em poucos minutos, consumiram a casa de madeira em que a florense morava com os filhos, os gêmeos Vitor e Felipe, de 9 anos. Naqueles dias, Sandra também estava abrigando sua primogênita, Bruna, os netos Solar e Satya, e o genro, Leonardo, que haviam vindo de Santa Catarina para passar uma temporada com ela. Visita que acabou se estendendo devido aos acontecimentos e perdas. 
Quando o incêndio iniciou, todos estavam na residência, com exceção de Felipe, que tinha ido em uma das tias. “Uma fumaça leve começou a entrar na casa, pensávamos vir de fora, mas quando fechamos as portas e janelas percebemos que vinha do teto. Em um instante, meu genro subiu na parte interna do telhado para localizar de onde vinha, mas não havia nada queimando. Minha irmã, Berenice, a ‘Bere’, deu a volta na casa para ver se havia fogo na parte externa, e não tinha nada, apenas uma densa fumaça”, lembra Sandra, acrescentado que quando se deram por conta, as chamas haviam se instalado na casa. 
“Foi uma coisa muito triste porque eu tentava ligar para os bombeiros, mas parecia que não ia; ligava para a polícia, mas não chamava; não sei o que acontece com a gente nessas horas. Foi uma fatalidade tão grande que acho que era para sair só com o corpo (mortos). Aí nós começamos a gritar, a vizinha ligou para os bombeiros e, não sei como, consegui ligar para uma enfermeira que conheço. Quando chegou a ambulância, eu fui para dentro com o Vitor e logo depois chegaram os bombeiros”, detalha, relatando que Vitor entrou em desespero, não sabe se por dor ou por ter sentido a perda. Hoje, ele quer que a mãe fique sempre ao seu lado, pois sente medo quando ouve gritos e batidas nas portas. 
Conforme a matriarca, antes da chegada dos bombeiros seu vizinho tentava controlar as chamas com um extintor, e o genro, com baldes de água, enquanto ela, a filha e a irmã retiravam as crianças do andar inferior da moradia, uma vez que os escombros da parte superior estavam começando a cair. Vitor, mesmo precisando de uma maca para se mover (por ter feito cirurgia recente), foi retirado pelos familiares que temiam o avanço do fogo.
A florense revela que os bombeiros não conseguiram detectar com total certeza o que causou o incêndio, a suspeita é que seja um curto: “Nesses anos, muitos consertos elétricos foram necessários para manter a casa funcionando, a fiação era muito antiga, a chave sempre caía, se sobrecarregava com o básico. Mas o que vivemos foi uma coisa de outro mundo. Nunca achei que fosse acontecer algo assim comigo”. 
Dentre as memórias que permanecem vivas, como fantasmas que assombram sua rotina e de sua família, Sandra recorda estar olhando para a casa em chamas e ver o varal caindo com as roupas que estavam estendidas nele. “Sou uma pessoa muito ágil, perceptiva, eu abraço tudo, mas fiquei totalmente sem ação. Foi minha filha que disse para sair dali porque a fumaça era grande”, destaca, acrescentando que sempre morou no endereço e que ele era sinônimo de orgulho, sobretudo após o falecimento de seus pais. 
Hoje, a matriarca dedica sua rotina ao filho especial, Vitor, que possui paralisia cerebral pós-parto, e exige muitos cuidados – a começar pela alimentação, por meio de sonda. Por isso, não tem como trabalhar fora, e como uma alternativa de renda extra, fazia bolos e doces para vender, no entanto, com o fogo, ela perdeu a batedeira e os demais materiais que utilizava. Mas além da interrupção dos confeitos, Sandra explica que tão doloroso quanto perder a casa, foi deixar ir, com ela, a cadeira de rodas de Vitor. “Eu fiz uma vaquinha online para conseguir a cadeira dele, o carrinho dele, que custa em torno de R$ 22 mil. Na época consegui uma promoção e pagamos R$ 17 mil, sendo que uma parte foi conseguida por meio da vaquinha, e outra, com o apoio da Apae. Na hora do incêndio, eu queria ter pego ela e levado junto, mas no momento não se consegue pensar em nada”, lamenta a mãe. 
Hoje a família precisa de ajuda para reconstruir a casa e, claro, comprar a cadeira de rodas e proporcionar mais qualidade de vida para Vitor. Para isso, as doações podem ser feitas por meio de PIX para as chaves: CPF 655.003.340-34 ou pelo número de celular (54) 9.9713.7996. Também há urnas para doação disponíveis nas Lojas Beneduzzi e no Mercado e Açougue Zin. É possível colaborar, ainda, doando produtos de higiene e limpeza como papel higiênico e fraldas. Toda ajuda é bem-vinda e pode ser oferecida diretamente para Sandra pelo telefone acima.

 - Karine Bergozza  - Karine Bergozza
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