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Cooperativas buscam preço mínimo para suco e mosto de uva diante de estoques elevados no Rio Grande do Sul

Com mais de 215 milhões de litros armazenados e previsão de grande safra, setor vitivinícola articula com a Conab políticas públicas para garantir remuneração mínima e apoiar a comercialização da produção
Diretor da Cooperativa Agroindustrial Paraíso Volnei Cover e consultor da Fecovinho Hélio Marchioro receberam técnicos da Conab Flavia Starling, Matias José Führ e Andrey Luis dos Santos Robinson (Foto: Divulgação)

Com estoques superiores a 215 milhões de litros de mosto e suco de uva na virada de 2025 para 2026, as cooperativas vinícolas do Rio Grande do Sul buscam apoio em políticas públicas para garantir a comercialização da produção com preço mínimo garantido. Com uma grande safra sendo colhida – talvez a maior de todas – o setor vitivinícola do Rio Grande do Sul tem mais um desafio. Além das questões tributárias e o aumento da concorrência devido aos acordos comerciais e as mudanças estruturais que estão acontecendo na produção e consumo mundial, a preocupação de viticultores e vinícolas está em comercializar sua produção, principalmente de suco de uva integral e mosto concentrado.

Há mais de uma década as lideranças do setor debatem com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a ampliação das políticas públicas de preço mínimo. Além do preço mínimo da uva – que serve como referência e condição para acessar políticas públicas – as cooperativas vinícolas estão capitaneando a ampliação desta política para a uva transformada em mosto e suco. Além de estabelecer preços mínimos, o setor precisa de apoio para escoar sua produção.

A lógica é simples: o governo fixa um valor mínimo de referência. Se o mercado pagar menos que esse valor, o governo pode intervir com subvenções ou mecanismos de apoio à comercialização. Isso serve para garantir remuneração mínima ao produtor, reduzir oscilações e estabilizar o mercado.

Um passo importante foi dado nesta semana, entre os dias 9 e 11, quando lideranças e dirigentes de cooperativas receberam três técnicos da Conab: a gerente de produtos Hortifruti Flavia Starling, o gerente de Informações Agropecuárias Matias José Führ e o pesquisador Andrey Luis dos Santos Robinson. O objetivo das reuniões foi conhecer as instalações dos processos de produção, estocagem e comercialização para, em seguida, desenvolver metodologia para elaboração de custos e preços mínimos para mosto e suco de uva.

Hélio Marchioro, consultor da Fecovinho que acompanhou os técnicos da Conab em visita às cooperativas, explica que o tema foi levado e debatido com o presidente da Conab Edegar Preto e com o diretor de Política Agrícola e Informações da Conab Silvio Porto por duas ocasiões no ano passado. A decisão de realizar os estudos foi tomada após a vinda do vice-presidente Geraldo Alckmin na abertura da Festa da Uva de Caxias do Sul. Marchioro acrescenta que além da Conab, a proposta já conta com apoio do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e da Fazenda.

Eduardo Piaia, diretor executivo do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) diz que a proposta conta com apoio, além dos órgãos de governo, de diversas lideranças do setor, e o tema deverá ser debatido pelo Conselho do Consevitis-RS nas próximas reuniões.

Estudo de preço mínimo

Diversas variáveis devem ser avaliadas e uma metodologia específica precisa ser construída. O rendimento – quantos kg de uva são necessários para produção de um litro de suco integral ou um quilo de mosto concentrado – os processos e custos industriais, equipamentos e sua manutenção e depreciação, custos de estocagem e armazenamento, entre outros, são componentes que devem ser estabelecidos com vistas à definição de um custo de produção e consequente definição de preço mínimo.

A definição do preço mínimo do mosto ou suco deve partir do preço mínimo da uva industrial que neste ano foi estabelecido em R$ 1,80 tendo como referência a uva Isabel com 15º Babo (teor de açúcar).

Toda a política de preços mínimos está baseada na produção agrícola. Entretanto, diferente dos grãos – soja, milho, café e outros – a uva não pode ser estocada, a não ser que seja transformada em mosto, suco ou vinho.

Com preços mínimos definidos, os produtores – principalmente cooperativas e agricultores familiares – poderão acessar instrumentos da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) executada pela Conab. Um dos instrumentos que o setor tem em mente fazem parte do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), executado pela Conab, em que são realizadas compras institucionais para alimentação escolar, hospitais, universidades e quartéis.
Outro instrumento, já usado de forma bastante satisfatória para a redução de estoques de vinho, quando o preço de um produto no mercado não alcança o preço mínimo, é a realização de leilões de Prêmio para Escoamento do Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro), onde o governo compensa com a diferença de valor entre ambos.

A grande questão, após a definição e formalização de preços mínimos para mosto e suco, será garantir recursos orçamentários na PGPM, para execução destes instrumentos.

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