No bairro São José, os moradores reclamam de terem enfrentado recorrentes faltas de água ao longo de todo o ano passado. Os problemas no abastecimento comprometeram a rotina e a qualidade de vida da população. Chegar em casa após um dia de trabalho e tomar banho, preparar uma refeição ou colocar a casa em ordem continua sendo, para muitos moradores, um gesto que nem sempre se concretiza.
Esse cenário se repetiu com mais intensidade no último mês de 2025, quando períodos consecutivos sem abastecimento voltaram a afetar o cotidiano da população. A experiência é relatada por Gabriela Lusa, de 44 anos, que acompanhou de perto a sequência de interrupções no fornecimento de água.
— Na semana do dia 15 de dezembro até o dia 26, faltou água praticamente todos os dias. A recomendação que temos no grupo da comunidade é que, devemos abrir um protocolo, e é isso que a maioria dos moradores faz. Eles (Corsan) sempre nos dizem que a falta de água ocorre por vazamentos ocultos ou porque a bomba é velha e não dá conta. Mas, quando a Corsan não era privatizada, não faltava tanta água — reclama Gabriela.
Antes do Natal, a comunidade voltou a registrar protocolos de reclamação, na tentativa de evitar novos problemas no abastecimento. A costureira Marlene Silva, 59 anos, fez parte do movimento.
— O último dia que faltou água foi no dia 26. Depois disso, o abastecimento voltou ao normal e não tivemos mais problemas. Na semana, (antes do Natal) foram abertos vários protocolos de reclamação. Esperamos que, neste ano, o abastecimento continue regular — torce Marlene.
Rede deficiente
Nem todos aceitam as explicações da concessionária Corsan/Aegea sobre a escassez de água. Para o líder comunitário Éder Zeique, 47, o que ocorre na região é resultado de uma série de falhas estruturais e de manutenção, que a Corsan/Aegea insiste em justificar com desculpas que, na prática, não resolvem o problema.
— Nós já sabemos das desculpas da Corsan, que os canos têm mais de 25 anos, que a RGE falha com o abastecimento de energia para as casas de bombas, que tem muito vazamento oculto. Mas quando tem problemas, a Corsan só arruma aquele pedaço de cano furado. Por que não abre a rua toda e já troca todo o cano? — questiona o morador.
A preocupação de Zeique vai além da infraestrutura, ele ressalta a dificuldade em obter respostas rápidas da Corsan quando a comunidade sinaliza algum problema.
— Sempre que vemos um problema de vazamento, a gente avisa a Corsan. Neste vazamento do dia 20 (de dezembro) nos informaram que foi em uma rua que vai para Nova Roma, abaixo da escola 1º de Maio. Porém, às vezes, o retorno não vem logo, como já ocorreu em outras situações — detalha Zeique.
Com a mobilização popular e mais pressão política, a esperança é de melhora para 2026.
“Não é só comprar a caixa d’água”
Mesmo com instalações de caixas d’água em algumas residências, a rotina de escassez continua a impor escolhas difíceis aos moradores. Ivonei José Romitti, 55, explica que ter a própria caixa ajuda, mas não resolve todos os problemas:
— O ano que passou foi bem complicado. Dezembro foi o pior mês sem água. Neste ano, por enquanto, está normal o abastecimento. Minha residência tem caixa d’água, mas quando falta água, tem que priorizar o consumo. É bem complicado — relata.
O desafio vai além da instalação da caixa, envolve custos, espaço e pressão da água. É o caso de Gabriela Lusa:
— As autoridades e os próprios moradores dizem que temos que colocar caixa d’água e eu também acho, só que o custo com tudo isso é alto. Não é só comprar a caixa e jogar ela no chão; tem que ter lugar para colocar. Para a máquina de lavar tem que ter pressão e para o chuveiro também… cada morador tem uma dificuldade — pontua.
Os pedidos por soluções se arrastam desde a audiência pública com a Corsan, em 12 de março do ano passado. Em abril, a ouvidoria itinerante da Agesan esteve na Terra do Galo.
— É uma vergonha essa situação. Amo a cidade maravilhosa que é Flores da Cunha; nosso bairro seria um paraíso se não tivesse problema de água — desabafa Erci Reginato, 69 anos.
O que diz a Corsan
A concessionária informa que monitora o sistema de bombeamento, instala novos poços e explica que ainda podem ocorrer interrupções pontuais de água. Confira a íntegra da nota:
“A Corsan continua fazendo o monitoramento dos sistemas de bombeamento que abastecem a localidade, além da instalação de dois novos poços localizados na Rua Guilherme Lucian e Estrada dos Bassanesi, que qualificarão o sistema de abastecimento da região. Vale ressaltar que interrupções pontuais na distribuição de água ainda podem ocorrer, devido à alguns fatores. Um deles é pelo rompimento de tubulações, principalmente por terceiros. Quando essas situações acontecem, é necessário realizar o conserto, e, após a conclusão do reparo, o abastecimento retorna de forma gradativa às localidades afetadas. Outra questão é a falta de energia elétrica, que compromete o funcionamento dos sistemas de bombeamento.”
Orientações da Prefeitura
A Prefeitura de Flores da Cunha reforça que os moradores devem registrar oficialmente, por protocolo, os casos de falta de água. Cada registro ajuda a mapear os locais e a frequência dos problemas. As solicitações podem ser feitas pelos canais oficiais da Corsan:
- Aplicativo Corsan
- Site da Agência Virtual
- WhatsApp: (51) 99704-6644
- Telefone: 0800 646 6444

