A falta recorrente de água em bairros de Flores da Cunha é um assunto comum na cidade. Apesar dos relatos, a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan-RS), responsável pela fiscalização dos serviços prestados pela Corsan/Aegea no município, não tinha registros específicos de reclamações sobre interrupções no abastecimento desde 2025, até o atendimento realizado nesta quarta-feira (21).
A situação veio à tona durante o atendimento da Ouvidoria da agência na Escola Tancredo de Almeida Neves, no bairro União. A ação resultou em 48 atendimentos e 34 processos abertos. As reclamações registradas envolvem falta de água, contas com valores elevados e presença de ar na rede.
O ouvidor Henrique Ferrugem explicou que a equipe esteve no município a pedido da Prefeitura para ouvir a comunidade e orientar os moradores sobre os canais de atendimento. Ele ressaltou que as reclamações precisam ser formalizadas para que a agência possa avaliar os casos e tomar as providências cabíveis.
— Existem várias reclamações para vocês (imprensa), Prefeitura, para a Câmara de Vereadores, no Instagram, mas para a agência reguladora, que tem o poder de multar e cobrar, não tem — relatou.
O vereador Valdecir Paulus (MDB) também participou do atendimento, acompanhado do prefeito, e lamentou a baixa adesão da comunidade. Paulus conta que o número de pessoas presentes foi considerado pequeno diante da frequência dos problemas relatados no município.
— Em torno de 40 pessoas compareceram para levar suas reclamações. É um número muito baixo em cima das ocorrências que acontecem aqui no município — afirmou, reforçando a importância da participação da comunidade.
“Tem períodos que é diariamente”
O tema já havia sido abordado por Paulus durante a sessão da Câmara de Vereadores do dia 13 de outubro. Segundo ele, os problemas se tornaram recorrentes há cerca de dois anos, após a mudança na administração dos serviços de abastecimento, e atingem principalmente o bairro União, além de localidades como São José e Colina de Flores.
— Tem períodos que é diariamente. Mas pelo menos de duas a três vezes por semana — explicou o vereador.
Paulus afirmou que o problema já foi levado à concessionária e à Agesan-RS, inclusive em reuniões e audiências públicas. Também houve uma reunião com a participação de vereadores e do setor jurídico do município junto ao Ministério Público. Segundo ele, a agência reguladora informou que os protocolos registrados pelos próprios consumidores são importantes para embasar as cobranças e eventuais autuações.
— Quanto mais protocolos feitos, quanto mais reclamações registradas, mais fácil fica para cobrarmos ações imediatas tanto da Aegea quanto da Agesan — destacou.
A importância dos registros também aparece no relato de moradores que convivem com as interrupções. Andressa Tais Bonatto, 43 anos, moradora da rua Horácio Borghetti, no bairro União, procurou a Ouvidoria. Ela conta que já havia registrado reclamações junto à Corsan, mas que o problema continuava.
— Não é uma falta de água que fica duas ou três horas, é a parte da tarde até a noite sem água. As faltas de água acontecem há dois anos, desde que a Aegea veio para cá — relatou.
Como registrar reclamações
Os moradores têm duas opções para registrar ocorrências de falta de água. A primeira é diretamente com a Corsan, por meio de uma iniciativa de vereadores e representantes do Executivo municipal para facilitar o registro das reclamações. Foi divulgado um número de telefone e WhatsApp para contato: 0800 646 6444. Também é possível registrar ocorrências pelo aplicativo da companhia ou pelo site da Agência Virtual. A iniciativa está sendo divulgada nas redes sociais.
A segunda opção é procurar diretamente a Ouvidoria da Agesan-RS. Conforme o ouvidor Henrique Ferrugem, esse canal é importante para que a agência fiscalizadora possa cobrar providências da concessionária e, quando necessário, aplicar sanções. As reclamações podem ser encaminhadas pelo telefone 0800 222 4022 ou pelo e-mail ouvidoria@agesan-rs.com.br. A agência recebe denúncias relacionadas aos serviços de abastecimento de água e saneamento, que podem ser acompanhadas de fotos e vídeos.
Os registros são fundamentais para demonstrar a frequência dos problemas e fortalecer a cobrança por melhorias. A orientação é que os moradores formalizem cada ocorrência, mesmo quando também procuram os vereadores ou comunicam a situação por outros canais.

