A inteligência artificial, o uso de dados e a integração entre lojas físicas e canais digitais já fazem parte da transformação do varejo brasileiro. Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Flores da Cunha (CDL), Jásser Panizzon, no entanto, a tecnologia não deve substituir um dos principais diferenciais do comércio: a relação com o cliente.
A avaliação foi feita após a participação de Panizzon na OmniVarejo 2026, 58ª Convenção Nacional do Comércio Lojista, realizada entre quinta-feira (27) e sábado (29), no Centro de Convenções de João Pessoa, na Paraíba. O encontro reuniu mais de 2,5 mil participantes de todo o país e colocou em debate temas como inteligência artificial, omnicanalidade, dados e experiência do consumidor.
Integrando a delegação gaúcha, o presidente da CDL de Flores da Cunha considera a experiência uma oportunidade para acompanhar de perto as mudanças que já afetam o setor.
— Foi uma experiência extremamente enriquecedora, que nos colocou em contato direto com o que há de mais avançado no varejo nacional. O grande insight do evento é que o futuro do varejo depende de equilibrar a modernização de processos com o fortalecimento das relações e das pessoas na gestão — afirma.
IA já bate à porta do comércio
Para Panizzon, inteligência artificial e análise de dados já deixaram de ser assuntos para o futuro. Ferramentas desse tipo podem ajudar os comerciantes a entender o comportamento dos consumidores, administrar estoques, prever demandas e personalizar o atendimento.
A recomendação para os lojistas, para ele, é começar pela incorporação gradual da tecnologia à rotina dos negócios.
— Não precisamos ter medo da tecnologia, mas sim integrá-la ao nosso negócio. O comerciante precisa começar a observar como unificar seus canais de venda, físico e digital, e usar pequenas ferramentas digitais para coletar dados que permitam conhecer melhor o seu cliente — explica.
A mudança, porém, também exige adaptação das equipes e dos próprios gestores. O presidente aponta a resistência à digitalização e a necessidade de capacitação como alguns dos principais desafios para o comércio.
O diferencial que a tecnologia não substitui
Apesar da necessidade de modernização, Panizzon vê uma característica do comércio de Flores da Cunha como uma vantagem diante das transformações do setor: a proximidade com o consumidor.
— O varejo de Flores da Cunha possui uma característica que a tecnologia não consegue replicar facilmente: o vínculo comunitário e o atendimento acolhedor — destaca.
Para ele, a oportunidade está justamente em combinar esse relacionamento com as novas ferramentas apresentadas na convenção.
— Se conseguirmos somar a nossa tradição e o relacionamento próximo com o cliente às inovações tecnológicas discutidas no evento, criaremos um comércio modernizado, altamente competitivo e profundamente conectado com a nossa comunidade — projeta.
Além da atualização sobre as tendências do varejo, a participação teve como objetivo ampliar os contatos institucionais da CDL. Segundo Panizzon, estar na convenção permitiu trocar experiências com lideranças de diferentes regiões e trazer novas ideias para os associados.
— Vejo a importância da nossa participação por dois motivos: fortalecimento institucional e oxigenação de ideias. Trazer essa bagagem para Flores da Cunha nos permite compartilhar conhecimento prático e novas soluções com nossos associados — conclui.

