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Palavra Viva: Sentada na linha do tempo

Confira a crônica escrita por Neusa Picolli Fante na edição Nº 1876 do jornal O Florense

Sentada no chão, com a linha do tempo, olho pra mim, olho para a vida, olho para o outro que segue próximo a mim. Procuro respostas, afinal sou craque nisso.

Encontrá-las é uma incógnita. Entro em labirintos mil, para encontrar algo que faça sentido, que me mostre a direção ou que me remeta a mais questionamentos, mas que se aproxime em me fornecer o talvez. O tanto procurado “possivelmente”, que pode me nutrir com mais subsídios para poder trilhar com mais otimismo, com mais direção, com mais determinação ou, quem sabe, com mais tranquilidade a minha trajetória. Aquela que se abre em caminhos possíveis a partir do talvez. Aquela que me permite escolha. Que me deixa flexível e conectado com o meu viver.

Sentada na linha do tempo naveguei em todos os tempos. Busquei respostas, surgiram questionamentos, me absorvi de contemplação, projetei sonhos, resgatei meias verdades, busquei a força para seguir. E assim, passo a passo, me pus a andar.

Foi ali, sentada na linha do tempo que compreendi o que vim ao mundo realizar, fazer, harmonizar (seja em mim mesma ou no ambiente em que me instalei).

Me traduzi através do tempo; eu andava sobre ele e ele construía a mudança em mim. Pude sentir o passado a se transformar em mim. Fui tocada pelo tempo nesse meu seguir.

Foi ali que precisei me olhar inteira, reconhecer cada célula do meu corpo, da minha mente, das minhas emoções. Foi nessa estrada que revisitei o outro que eu não conhecia na sua essência (até porque de mim mesma também me perdia). Mas foi ali que enxerguei a ele e principalmente a mim com uma tranquila verdade que só pertence a quem muito tropeçou, se perdeu em si mesmo, se atropelou e, mesmo assim, continuou com a mesma determinação seguindo.

Foi me observando de longe que juntei passado, presente e futuro num só sentimento. Numa única direção. Numa imensa e solitária busca. Foi ali que ficou clara parte da minha missão.

No meio disso tudo, lá fui eu nesse seguir, andar que me inspirava e me mostrava um novo jeito de continuar…

Agora, mais tranquila em mim mesma, prossegui com novas formas de procurar e de realmente me encontrar. Hoje, sinto que tenho todo tempo do mundo, afinal não vou a lugar algum…

Sente na sua linha do tempo você também. E descubra a maravilha dos questionamentos que se escondem ali!

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