Existem tentativas de ser diferente de outros tempos, de como foi um dia e de como se sentia também. Não é simples ser incomum ao padrão aprendido.
Atualmente, fica evidente quando alguém se apropria da vida de outras pessoas. Isso no sentido de desejar o que imagina para os outros ou, talvez, direcioná-los; ou, então, criar regras para ele, e que o outro siga seu manual de orientações.
Podemos perceber que o que era antes permitido (colocar o dedo, a mão na vida do outro), que passava despercebido, agora soa como invasão.
Com a ação do tempo, as invasões na vida um dos outros foram olhadas de diversas maneiras. Até o que funcionava, em outras épocas, como “vou deixar que ele faça por mim”, agora, as pessoas percebem que devem cuidar de si e dar espaço para o outro que, a partir dessa constatação, possa ser seu próprio cuidador.
A regra é clara “cuidar de si em primeiro lugar”, que é se reconhecer, se encontrar, se reconectar e, depois, cuidar do outro. O que não significa pensar pelo outro, ou seja, induzir que ele siga o caminho que eu escolhi pra ele.
Cuidar do outro é oferecer a mão, o abraço se ele assim solicitar. Cabe a ele desejar ou não ser acolhido, cuidado por você. Inclusive, respeitar as escolhas dele: o que ele tolera e o que não tolera e, é claro, se fazer respeitar também por ele.
Cuidar do outro, hoje, não é carregá-lo no colo: é dar-lhe a mão para que possa enxergar coisas novas e assim seguir com os próprios pés.
Para os palpiteiros de plantão, a regra é clara: cuide de si e deixe o outro se cuidar. E que cada um siga o seu caminho com respeito e autonomia.
Fica claro que, em algum momento, cada um de nós, individualmente, precisa descobrir seu valor, sua força de fazer o melhor, do seu jeito: potencializando-se para a vida, construindo suas próprias respostas, não ficando à espera de opiniões.
O fato é que o outro precisa tolerar que enxergo diferente dele e que é essencial eu me desenvolver da minha maneira. Necessito aprender a dar limite para ele, para que não ocupe minha vida constantemente. Também é indispensável que eu aceite os limites dele.
No meio do caminho, descobriremos, eu e você, que somos ensinantes e aprendentes da vida. Algumas coisas eu te ensino; outras, você colabora comigo, nem que seja me dando limites para que eu não invada a tua vida.
Essas são posturas que se modificam, seres que se desenvolvem quando realmente desejamos crescer e ampliar horizontes.