Home Destaque Sugestão sobre IPTU leva a novo embate entre Alemão e vereadores do PP em Flores da Cunha

Sugestão sobre IPTU leva a novo embate entre Alemão e vereadores do PP em Flores da Cunha

Manifestações do vereador do MDB costumam ser prontamente respondidas pelos governistas
(Fotos: Junior Port de Oliveira/Câmara de Vereadores)

Antes de tudo, é preciso ponderar que Flores da Cunha não tem oposição. Os vereadores de oposição, inclusive, rechaçam o termo “oposição”, alegando que querem “ser construtivos” e que se “o projeto é bom, será aprovado”. Palavras ao vento de quem teme uma semântica rasa, como que “se opor” a Prefeitura fosse ser contra o município de Flores da Cunha.

O curioso é que a maior prova de que a democracia necessita de uma oposição atuante está na própria Câmara florense. A inércia da oposição levou a um movimento contrário. É a base governista que faz questão de rechaçar e rebater qualquer ação do outro lado. Toda ponderação sobre o município precisa de uma reposta imediata. O que ficou explícito, mais uma vez, na primeira sessão de 2026.

O vereador Claudimir Kremer Alemão (MDB), em primeiro mandato, tem um perfil simplório. Gosta de repetir que a missão do vereador é fiscalizar e utiliza as indicações para demonstrar sua atuação comunitária — foram 57 em 2025, recorde desta legislatura. Para começar 2026, sua sugestão à Prefeitura foi conceder um desconto maior (10% ou 15%) na cota única do IPTU aos proprietários que fizerem obras para adequar suas calçadas às normas de acessibilidade.

Uma proposta sobre um direito fundamental em um município que, seis meses atrás, assinou um compromisso com a Defensoria Pública para promover melhorias na acessibilidade. Normalmente, não seria polêmico. Mas, no atual Legislativo, deu pano para manga.

“Compromete os cofres públicos”

O primeiro a reagir a indicação de Alemão foi o vereador Diego Tonet (PP).

— É uma questão de bom senso da comunidade. Se tivermos que ficar dando desconto para todo mundo que fazer alguma coisa, a gente compromete os cofres públicos — alegou.

Tonet que, em um segundo momento, retomou ao tema para uma prática recorrente da base governista: citar, ainda que indiretamente, o ex-prefeito Lídio Scortegagna (MDB). Para tal, lembrou de uma antiga proposta de desconto do então vereador e atual prefeito César Ulian (PP).

— Era o IPTU verde, para quem tivesse cisternas em suas residências e minimizasse o uso de água potável, e foi barrada, não sei se pelo prefeito da época ou pela própria Câmara. Teve alternativas de desconto no IPTU, no passado, que não foram adiante — declarou o progressista.

“Obrigação do proprietário”

O líder de governo, Deivid Schenato (PP), também se manifestou com a intenção declarada de “bater o martelo”.

— Sobre a questão do IPTU, a calçada com acessibilidade e a limpeza do terreno são uma obrigação do proprietário. Acho que não faz sentido nenhum dar qualquer tipo de desconto para que uma obrigação seja atendida por quem tem a propriedade deste terreno — declarou.

Foi apenas depois de discordar do seu costumeiro rival que o vereador Schenato lembrou que a Prefeitura já oferece benefício aos proprietários:

— Ressaltar aos contribuintes que a Prefeitura auxilia com brita e, inclusive, a fazer a cancha para os proprietários fazerem a calçada — apontou.

Cabe lembrar que o passeio público é, sim, obrigação do proprietário, mas a fiscalização cabe a Prefeitura, que pode notificar e multar quem não adequar a calçada aos padrões técnicos.

“Não aceito este seu comentário”

A mesma lógica de reação imediata e defensiva se repetiria pouco depois, em um tema muito mais sensível: a polêmica Emenda Substitutiva da última sessão de 2025, quando a base articulou a alteração num raro Projeto de Lei de fora do eixo. A vereadora Silvana De Carli (PP) utilizou seu momento de fala para destacar um número alarmante: já são 11 feminicídios no Rio Grande do Sul em 2026. A parlamentar destacou que a proteção das mulheres é uma de suas causas e declarou que “estamos falhando como sociedade”.

Logo depois, o vereador Claudimir Kremer Alemão concordou sobre o grave problema que é a violência contra mulher e citou a Emenda Substitutiva que alterou o Projeto de Lei que previa a divulgação do Disque 180 no comércio local. A vereadora Silvana, que votou a favor a retirada da obrigatoriedade da colocação da placa sobre o Disque 180, demonstrou insatisfação com a lembrança de dezembro.

— Não aceito este seu comentário. Convido o vereador Alemão a colocar uma plaquinha no seu estabelecimento. Vai muito além disso. Hoje nós precisamos de conscientização e de informação para nossa comunidade. As mulheres estão sendo maltratadas e não tem onde procurar ajuda porque a nossa sociedade é machista.

“Comprem essa ideia”

Costumeiramente neutro nos embates PP x MDB, o vereador Luizzão (Republicanos) tem uma posição clara nesta polêmica — afinal o Projeto de Lei original foi uma proposta de sua suplente Jaqueline Zanella — e se manifestou:

— Toda ferramenta para inibir este tipo de crime, nós temos que aprovar. Nós tivemos, sim, uma oportunidade aqui e, infelizmente, não passou. Não é uma questão de se chatear. Cito os Postos Sim que já tem essa plaquinha e é uma rede muito grande. Que outras empresas e o comércio também comprem essa ideia.

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