Uma conquista histórica, mas também um primeiro passo. Na próxima quarta-feira (20), Flores da Cunha sediará a primeira abertura oficial da colheita da uva no Brasil. Este marco para a vitivinicultura nacional será celebrado em um evento na Vinícola Luiz Argenta seguido de um menarosto no salão paroquial.
A iniciativa surge como uma pré-estreia do título de Capital Nacional da Vindima, projeto que tramita na Câmara dos Deputados e deve ser oficializado até abril. Flores da Cunha foi escolhida como sede da abertura, e pelo projeto de lei continuará sendo anualmente, por reunir características que o colocam como referência nacional no setor.
Desde 1994, o município ostenta título de maior produtor de vinhos do Brasil, com uma produção estimada em 184 milhões de litros de vinhos e derivados da uva em 2025. No Rio Grande do Sul, aproximadamente 22% das vinícolas ativas estão instaladas no município.
São cerca de 1,5 mil famílias produtoras de uva e 5,8 mil hectares de vinhedos. O volume colhido em uma única safra, confere ao município a maior vindima do país.
— É um momento maravilhoso para Flores da Cunha, mas também para todo o setor vitivinícola do Brasil. Um primeiro passo dentro de um processo de avanço e fortalecimento da uva e do vinho no país — destaca o secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo, Cultura e Inovação, Tiago Centenaro Mignoni.
Evento reúne a cadeia produtiva
A expectativa é de que cerca de 200 pessoas participem da primeira edição da Abertura Nacional da Colheita da Uva.
— Mais do que a quantidade de pessoas, o que buscamos é a representação da cadeia produtiva. É fundamental ter o agricultor, o vinicultor, a indústria e o setor do turismo reunidos nesse momento — ressalta o secretário Mignoni.
O evento contará com a presença de autoridades municipais, estaduais e federais, além de representantes do Legislativo, como deputados federais, estaduais e senadores. Convites também foram enviados a mais de 100 municípios brasileiros produtores de uva, reforçando o caráter nacional da iniciativa.
Segundo Mignoni, a abertura oficial marca o início de um processo.
— É a primeira edição de um movimento que tende a se desdobrar ao longo do tempo. A partir desse marco, o Brasil passa a ter um ponto oficial de celebração da colheita da uva, assim como já ocorre há décadas com outros grãos e culturas — afirma.
Capital Nacional da Vindima
Paralelamente ao evento, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 4469/2025, de autoria do deputado federal Afonso Hamm (PP), que propõe conceder oficialmente a Flores da Cunha o título de Capital Nacional da Vindima. A iniciativa busca reconhecer, em âmbito legal, uma condição que o município já exerce na prática.
— Para quem vive essa realidade diariamente, é natural dizer que Flores da Cunha é a capital da Vindima. O reconhecimento oficial agrega valor, fortalece a identidade local e beneficia toda a cadeia produtiva — ressalta Mignoni.
Vindima como cultura e identidade
Para além dos números, a Vindima em Flores da Cunha carrega um forte caráter cultural, construído a partir do trabalho familiar e da mobilização comunitária ao longo das gerações.
— Essa conquista é resultado de uma construção histórica, baseada em dados, mas também em valores. Aqui, a Vindima é cultural, nasce do trabalho das famílias, do envolvimento coletivo e de um modo de vida ligado à uva — afirma o secretário municipal de Agricultura, Jamur Mascarello.
Ele destaca que práticas como a mobilização voluntária de produtores para o reerguimento de vinhedos, como ocorrido após o tornado em Alfredo Chaves, reforçam a singularidade da Vindima local.
— São situações que não se repetem em todas as regiões e mostram que aqui a Vindima é diferente. Esse reconhecimento chega como benefício para todo o setor — completa.
A valorização da Vindima também impacta diretamente o turismo. Flores da Cunha tem se consolidado como destino de enoturismo de experiência, oferecendo vivências autênticas durante o período de colheita, que se estende, em geral, de janeiro a março.
— É um turismo real, que se construiu de baixo para cima, com investimentos privados e parceria com o poder público, mantendo a essência. O visitante busca viver a Vindima, entender o processo, estar no território — explica Mignoni.
O secretário não tem dúvidas que o posicionamento do município como Capital Nacional da Vindima fortalece a decisão de viagem de turistas interessados em regiões vitiviníferas.
Safra 2026
Para a safra de 2026, a expectativa é de uma colheita superior a 100 mil toneladas de uva em Flores da Cunha. De acordo com Jamur Mascarello, o ciclo será um pouco mais tardio em razão das condições climáticas, mas com boa qualidade e volume.
— A gente espera uma safra de boa qualidade e quantidade muito boa. O pico da colheita deve iniciar nos primeiros dias de fevereiro — explica.
A produção local é majoritariamente composta por uvas americanas, com destaque para a Bordô, variedade que se destaca pela qualidade tanto para vinhos quanto para sucos.

