Esporte

28/04/2021 - 16:00

Jogo do taco: um esporte ou brincadeira “raiz”?

O trio formado por Murilo (E), Diego (C) e Benhur (D) conquistou o 4º título da modalidade em 2018, quando foi disputada a 6ª edição do torneio.

A modalidade é praticada em locais planos, preferencialmente na rua, mas também pode ser disputada na areia ou em gramados

Em algumas regiões do Brasil o jogo de taco também é conhecido como bete. Sua origem acaba sendo bem variada. Alguns historiadores dizem que a brincadeira foi criada por jangadeiros brasileiros, no século XIX. Outras pessoas apontam que “bete” veio da palavra inglesa “bet”, que na tradução é “aposta”, palavra bem usada nos jogos de críquete, na Inglaterra. Existe outra hipótese, de que a brincadeira é originária do beisebol americano, apesar de que os devotos do esporte digam ao contrário. Bete ou taco, o fato é que a modalidade é muito popular em terras brasileiras. 
As duas bases são separadas por uma distância entre 25 e 30 metros. Uma circunferência de 60 centímetros de diâmetro é desenhada em volta de cada alvo, formando a base. O jogo de taco é disputado entre duas duplas. Uma dupla que fica em posse dos tacos (ataque) e a outra dupla que fica em posse da bola (defesa). No jogo, um integrante da defesa arremessa a bola em direção a “casinha” do lado aposto com o objetivo de derrubá-la. Já a meta do ataque é impedir que a casinha seja derrubada, rebatendo a bola arremessada. Quando a casinha é derrubada, a dupla de defesa marca 1 ponto e as duplas invertem as posições. Caso o atleta de defesa consiga pegar uma rebatida do ataque no ar, sem que a bola tenha tocado o chão, o jogo acaba e a vitória independente de sua pontuação é dada para a dupla adversária.
O técnico em internet Benhur Oliveira do Nascimento, 30 anos, começou a jogar taco com oito anos de idade com os amigos do bairro. “Era um tempo de brincadeiras mais “raiz”, como pega-pega, esconde-esconde, goleirinha e, claro, o jogo do taco. Jogávamos praticamente todos os dias. Nos finais de semana eram sempre cinco ou seis duplas aguardando a sua vez de jogar”, lembra Benhur.  
Para Benhur, a dificuldade maior é de arremessar, uma vez que o jogador precisa ter a noção de direção e força certa, para acertar os dois objetivos: derrubar a base do adversário e, ao mesmo tempo, impedir que o arremesso seja rebatido. Benhur é um dos maiores campeões dos Torneios de Taco de Flores da Cunha, com quatro conquistas. 
Embora seja uma brincadeira sem foco profissional, o esporte oferece muitos benefícios, como concentração, agilidade, rapidez de raciocínio, além de ser um esporte que estimula bastante a parte física e mental dos jogadores. Apesar de praticar outras modalidades esportivas, Benhur destaca as inúmeras amizades criadas no jogo de taco. “Por se tratar de um esporte que é mais voltado para a diversão, pude conversar com outros atletas e torcedores que conhecia apenas de vista”, finaliza o atleta.  
O programador de controle de produção, Murilo Rosa Moreira, 30 anos, começou a jogar taco quanto tinha entre 12 e 13 anos, na Praça Nova Trento, ao lado de casa. “Durante a partida, a maior dificuldade é rebater, tendo em vista o tempo de reação entre o arremesso da bolinha e a rebatida”, frisa Moreira.
Dos sete torneios organizados em Flores da Cunha, Murilo disputou seis campeonatos, chegou em cinco finais e tem quatro títulos, sendo três na sequência. O time Vila Brito sempre foi formado pelos atletas Murilo, Benhur e Diego de Oliveira, o “Alemão”, que é o presidente da equipe. 
Murilo afirma que os atletas não têm nenhuma preparação específica nas semanas que antecedem os torneios. “Evitamos apenas não sair na sexta-feira que antecede as competições, uma vez que os jogos dos torneios são muito puxados”, garante o atleta que recebeu, e de imediato aceitou, o convite para fazer parte do trio florense mais temido da modalidade.
Para quem ainda não teve a oportunidade de praticar esse esporte, Moreira garante que está perdendo tempo, porque o esporte/brincadeira é muito divertido e saudável. “Quem  experimentar não vai se arrepender”, conclui Murilo.
De acordo com o relato do empresário Diego de Oliveira, o “Alemão”, 30 anos, nos jogos o trio não costuma usar tática, mas conhecem os pontos fortes de cada um dos integrantes. “Geralmente escolhemos quem vai sair jogando pela parte física, quem está menos cansado e que não está sentindo dores. Nas fases eliminatórias analisamos nossos adversários, mas, na maioria das vezes, pensamos mais em nosso jogo, nossas qualidades. O Murilo se sobressai nos arremessos para derrubar a casinha. Eu e o Benhur temos mais facilidade nas rebatidas. As características do trio se completam e por isso conseguimos esses resultados expressivos”, explica Diego, que é pizzaiolo.  
Segundo Oliveira, o fato dos três se conhecerem desde a infância e terem jogado sempre juntos conta muito na hora dos campeonatos. “Em qualquer esporte, o sucesso depende muito da união e amizade entre os atletas. Por isso somos os mais temidos de Flores da Cunha no jogo do taco”, resumiu Diego.

Por Maicon Pan - pan.maicon@hotmail.com

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O trio formado por Murilo (E), Diego (C) e Benhur (D) conquistou o 4º título da modalidade em 2018, quando foi disputada a 6ª edição do torneio. - Jeferson Uliana Toscano/ Divulgação

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