Segurança

22/07/2021 - 18:00

Um trabalho conjunto para estagnar a violência

Brigada Militar e Polícia Civil repercutem números do primeiro semestre, que registrou três homicídios e queda nos crimes contra o patrimônio

Três homicídios. Esse é o saldo da violência em Flores da Cunha no primeiro semestre de 2021, que iguala o mesmo período do ano passado. No Rio Grande do Sul, os números caíram 18,5%, chegando ao menor índice dos últimos 10 anos. Já na região atendida pelo 36º Batalhão de Polícia Militar, os crimes reduziram 64% – foram nove os homicídios registrados, o que significa dizer que o município florense foi palco de um terço deles.
Mas é difícil estabelecer paralelos, já que cada cidade tem suas próprias características. Dos três crimes cometidos em solo florense nos primeiros seis meses do ano, todos tiveram motivações pessoais – quando há relação entre autor e vítima – e foram resolvidos pela Delegacia de Polícia Civil, concluídos e remetidos à Justiça, um fato comemorado pelo delegado Rodrigo Kegler Duarte, desde setembro de 2020 trabalhando no município. Outro ponto positivo são os meses de abril, maio e junho, que não registraram ocorrências.
O primeiro dos homicídios de 2021 foi registrado no dia 6 de janeiro, no Travessão Cavour. A vítima, Airton Tomazzi, de 51 anos, foi mortA pelo sobrinho, à época menor de 18 anos, por conta de desentendimentos familiares. No mês seguinte, Altair Marcon, de 48 anos, foi morto pelo cunhado, a facadas, no bairro Pérola. O autor responde em liberdade e alegou legítima defesa para cometer o ato.
Ainda no primeiro semestre, em março, no dia 21, Rodrigo Luis dos Santos, de 33 anos, foi alvejado pelo ex-marido da namorada, no bairro São José, se configurando como um crime passional. A prisão preventiva do autor foi negada duas vezes pela Justiça. “Nenhum homicídio é fácil de esclarecer, mas é menos difícil quando nós temos uma questão de relação entre autor e vítima. Nesse caso, nós tínhamos, então conseguimos fazer um elo”, comenta o delegado.
Isso é especialmente importante porque não há um pano de fundo que envolva o tráfico de drogas, sempre um indício de mais mortes e de investigações mais difíceis, já que normalmente se tratam de mortes encomendadas. “Quando envolve uma facção, é normal que um soldado venha para cá, ache o fulano, mate ele. Ele pega um carro roubado na região metropolitana, vem, mata, entra no carro de novo e foge”, explica Duarte.
Por isso, o último homicídio registrado em Flores da Cunha, no dia 5 de julho, que não entra nas estatísticas do primeiro semestre, acende um alerta vermelho. A morte de um jovem de 18 anos, com antecedentes criminais, ainda está com as investigações em andamento. Tudo indica que o crime tenha relação com o tráfico: “A investigação se torna bem mais complexa, demora muito mais tempo”, diz o policial civil.
Segundo o delegado, o trabalho da Polícia se concentra em evitar o conflito de facções, que costuma explodir o número de homicídios. “Por isso, é importante que nesse homicídio de agora a gente resolva e leve à prisão para evitar que se torne um incentivo dessa prática. Precisamos saber se foi só uma pessoa ou não, se vai ter represália. Havendo represália, é sinal de que uma outra facção está tentando ganhar território”, diz Duarte, destacando que em Flores da Cunha ainda não existem esses conflitos. 
Entre as operações realizadas para evitar que essa realidade, encontrada em outros municípios, como Caxias do Sul, avance para a cidade, Rodrigo destaca a Operação Casarão, que apreendeu drogas de uma organização criminosa que tentava se assentar no município. “Nós temos apenas quatro agentes para realizar todos os tipos de trabalho, desde violência doméstica até essas grandes operações. Mas mesmo assim, temos dado atenção especial para reprimir essas iniciativas e possíveis conflitos”, revela.
Por isso, a maior parte dessas iniciativas é realizada em conjunto com a Brigada Militar que, ao se unir com a Polícia Civil, consegue dar uma sensação maior de força do Estado. “Nós vamos continuar fazendo esse trabalho esporadicamente. Com a intensidade que nós gostaríamos? Não, mas é por causa do material, do efetivo que a gente tem. Então vamos trabalhar para que isso continue”, promete Duarte.
Sobre o futuro do tráfico, o delegado afirma que a realidade das facções criminosas tende, infelizmente, a crescer. “Isso está disseminado no Estado inteiro. Onde tem sistema penitenciário, tem facções criminosas que fazem o recrutamento de integrantes dentro do sistema. Não tem como interromper esse ciclo. É por incompetência da Susepe? Não, de jeito nenhum, a Susepe trabalha muito bem com a estrutura que ela tem”, encerra. 

Foco na prevenção gera resultados
O capitão Daniel Tonatto, do 36º BPM, também valoriza o trabalho em conjunto com a Polícia Civil, em especial a troca de informações. “Nós tivemos uma quantidade bem significativa de presos neste ano. Nossa integração é muito positiva nesse sentido. A segurança é feita em um contexto, com a Polícia, a Justiça Criminal, o Ministério Público”, destaca Tonatto sobre o trabalho da BM, que efetuou 266 prisões no primeiro semestre de 2021 – um aumento de 106% em relação a 2020.
O número de ocorrências atendidas nos primeiros seis meses do ano (924) é considerada alta para os padrões de uma cidade como Flores da Cunha, caracterizada pelos delitos de ameaça, lesão e agora também por perturbações do sossego e aglomerações. “Nós já temos o efetivo policial limitado. E agora com a questão da pandemia agravou mais ainda. O que está tomando bastante nosso trabalho é a questão de apoio ao órgão municipal”, diz Tonatto.
Um destaque é a Operação Avante, realizada semanalmente pela Brigada Militar, além do policiamento rotineiro na cidade. Levando em conta o mapeamento do crime, a BM faz uma análise de bairros e horários com mais incidência de delitos e reforça o policiamento nessas áreas. “Nós trabalhamos muito com a visibilidade, a prevenção, orientação e policiamento direcionado com o objetivo de trazer segurança para esses locais de maior incidência e até mesmo evitar delitos e reprimir de forma imediata, como é o caso das prisões em flagrantes”, explica o capitão da Brigada Militar, que visitou 1.627 estabelecimentos até junho, um aumento de 58%.
O resultado pode ser visto na redução de todos os crimes contra o patrimônio no primeiro semestre em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo a ferramenta Avante, da Brigada Militar: foram 42 furtos (-17%), 8 furtos de veículos (-60%), 11 furtos em veículos (-18%), 50 furtos qualificados (-7%), 2 roubos (-50%), 3 roubos à residência (-66%), 2 roubos de veículos (-83%), 3 roubos de pedestres (-80%) e 3 roubos em estabelecimentos (-40%).

Por Pedro Henrique dos Santos - pedrohenrique@jornaloflroense.com.br

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 - Polícia Civil/ Divulgação

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