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Uma produção 100% natural

Na propriedade de Luiz Carlos Stuani, se valoriza o cultivo orgânico, livre de agrotóxicos

Uma produção de morangos 100% orgânica, com tratamento biológico, sem agrotóxicos ou inseticidas. Um trabalho muito mais complicado do que o convencional, que gera muito mais dores de cabeça para o agricultor, mas que foi o sonhado pelo florense Luiz Carlos Stuani para viver após a sua aposentadoria. A marca Morangos Orgânicos Isabelli é fruto dessa dedicação pura – e totalmente livre de tratamentos químicos.
Há três anos, quando Stuani decidiu pendurar de vez os alicates e os fios após uma vida trabalhando como eletricista, começou a cultivar os morangos em sua propriedade, localizada no Travessão Camargo, Capela São Paulo, em Flores da Cunha. Dois anos depois, ele ganhou a companhia da mulher, Juliana Piccoli Pirolli, que também deixou a empresa onde trabalhava para se dedicar à produção agrícola.
“É muito bom. Eu perguntei se ela quer voltar para a empresa e ela disse que não”, diz Luiz sobre o trabalho no campo e a ajuda da esposa. Juliana confirma a intenção de permanecer cultivando a fruta: “Eu gosto de ficar aqui, é melhor, mais tranquilo. Nós fazemos uma coisa boa para as pessoas, elas gostam muito dos morangos”, explica a esposa, cujo filho, João Davi Pirolli, trabalha na Fábrica de Móveis Florense, mas ajuda na produção durante as manhãs.
Parte dessa tranquilidade se explica por não precisar manipular agrotóxicos no cultivo, protegendo a própria saúde – e, principalmente, a dos consumidores. “Nós não gostamos muito de inseticidas. Um produto que não tenha agrotóxicos é muito melhor para a saúde de quem vai comer. Eu acho que os consumidores têm esse direito de se proteger dos agrotóxicos”, justifica Stuani, que desde o início conta com o certificado Ecovida.
A escolha por uma produção orgânica torna o trabalho muito mais árduo, como explica o agricultor. É o próprio Luiz, por exemplo, quem faz o adubo, usando ingredientes como esterco de porco, cinza de fogão e calcário, que necessitam ficar de cinco a seis horas fervendo em tonéis de 200 litros. “É bem mais trabalhoso, porque no convencional as medidas são todas automáticas, eles nem botam a mão. Já eu preciso colocar a mão na massa”, explica.
O controle de possíveis doenças, sem o uso de inseticidas, também necessita de atenção redobrada por parte do produtor. “Nós temos que segurar os morangos sempre limpos. Não deixar a folha podre para não entrar doenças”, completa Stuani. Mas os frutos desse trabalho fazem valer todo o esforço, vendidos e apreciados em cidades como Caxias do Sul, Ipê, Porto Alegre e até em Florianópolis.
“Se nós tivéssemos mais outro tanto de morango, venderíamos tudo, porque temos bastante procura. No inverno, a produção é menor, porque eles gostam de calor e sol. Aí sim, é possível vê-los amadurecendo, é uma maravilha”, se orgulha Luiz. Agora, no frio, são produzidos cerca de 50/kg por semana na propriedade – no verão, os mesmos 50/kg são atingidos em apenas um dia, exigindo duas colheitas diárias.
No local, o agricultor também produz tomates, nos quais tenta usar a menor quantidade possível de produtos químicos – a adubação, a exemplo dos morangos, também é orgânica. “Com os tomates, é difícil de controlar as pragas, aí infelizmente nós temos que utilizar alguma coisa no tratamento convencional também. Esses não vão ser 100% orgânicos, vai ser mais ou menos meio a meio”, explica Stuani. 
Mas a próxima aventura do agricultor também será completamente natural: Luiz pretende construir os próprios parreirais e cultivar uvas com tratamento biológico do início ao fim. Mais trabalho, mais dores de cabeça para o eletricista aposentado, mas também uma satisfação a mais para ele no fim da colheita: “Vale a pena porque a gente não trabalha com venenos. Tudo pela nossa saúde e pela saúde dos consumidores”, conclui, orgulhoso.

O casal Luiz e Juliana largou os empregos formais para se dedicar à produção de morangos. - Pedro Henrique dos Santos
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