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Transporte coletivo é reduzido devido à baixa demanda florense

Empresa responsável pelo serviço na área urbana optou por diminuir horários de linhas após consentimento da administração pública

Desde a última segunda-feira, dia 10, o tão sonhado transporte público de Flores da Cunha teve uma redução nos horários em grande parte das linhas que percorrem a área urbana do município. O motivo apresentado pela Secretaria de Planejamento, Meio Ambiente e Trânsito e pela empresa Expresso Kurz foi a baixa adesão dos florenses ao serviço. Embora o número de usuários seja grande e represente uma demanda, a população está optando por outros meios de transporte, prejudicando o serviço que tanto foi solicitado nos anos anteriores.

Em junho o transporte público entra em seu quarto mês de funcionamento. As linhas começaram a funcionar no dia 26 de fevereiro e, em março, após um mês, o serviço foi readequado buscando tornar o processo viável e com mais participação. Na época os horários das quatro linhas e dos 13 itinerários sofreram modificações, passando a entrar nos loteamentos Monte Belo e Parque dos Pinheiros, entre outras localidades, atendendo pedidos da população. Na semana passada a Expresso Kurz, que detém a concessão do serviço, solicitou à prefeitura a redução de horários. O motivo é a baixa circulação de passageiros.

De acordo com o proprietário da empresa, Mauro Kurz, o problema não está na demanda de passageiros e sim no fluxo de usuários. “A demanda de passageiros existe. Em horários de maior movimento as paradas estão cheias, mas as pessoas não entram nos ônibus do transporte urbano. Existem outros serviços, como o escolar, vans, ônibus que vão para cima e para baixo, mas que não são regularizados para isso. Quem perde é o transporte e, futuramente, a população, pois em vez de aumentar o número de linhas e horários temos que diminuí-las”, admite Kurz. O valor da passagem é único (R$ 2,30). Estudantes pagam metade (R$ 1,15) e pessoas com mais de 65 anos e deficientes físicos têm acesso gratuito, assim como crianças menores de sete anos, desde que acomodadas no colo dos pais ou responsáveis.

Com as mudanças, em Nova Roma, dos seis horários disponíveis, agora são dois. São Gotardo tinha 12 opções que agora passaram para apenas uma, e assim ocorreu com todas as linhas. “Os ‘outros’ transportes precisam ser regularizados e fiscalizados com a implantação do transporte coletivo. Não conseguimos assumir essa demanda existente sem uma fiscalização por parte das autoridades competentes. A prefeitura está sendo nossa parceira e sente conosco essa dificuldade”, desabafa o empresário.

Levantamento antes de iniciar fiscalização

A secretária do Planejamento, Meio Ambiente e Trânsito, Ana Paula Ropke Cavagnoli, garante que a pasta trabalha no levantamento de dados para iniciar uma fiscalização nos transportes alternativos que a população utiliza. “Deve ser feita uma fiscalização, mas precisamos regrar esse trabalho que poderia ter sido feito antes do início do serviço. Quando assumimos a Secretaria o processo já estava concluído e a licitação feita. Tivemos que implantar para não perder os prazos”, explica ela.
Para que o trabalho de fiscalização seja colocado em prática, a Secretaria começará um levantamento com recadastramento e vistoria em todos os veículos que fazem algum transporte no município. “Em primeiro lugar eles precisam apresentar condições de segurança aos passageiros que eles transportam. Esse trabalho nunca foi feito, a não ser com o serviço escolar, mas como agora temos um transporte urbano, ele precisa entrar em ação e iniciar do zero”, acrescenta Ana Paula.

O Departamento de Trânsito da Secretaria é o responsável pelo levantamento. “Como não tínhamos esse serviço e mesmo assim o alvará era disponibilizado, e agora temos uma empresa que tem a concessão do serviço, os demais não podem fazer esse tipo de transporte. A não ser o serviço particular de empresas, por exemplo”, destaca a secretária do Planejamento.

Sobre a redução nos horários, Ana Paula afirma ter sido necessário para manter o serviço ativo no município. “Recebemos ligações para aumentar alguns trechos, mas depois a população não utiliza. Agora precisamos diminuir os horários mas, depois, com a fiscalização, nada impedirá que as linhas retornem de acordo com a demanda”, estima.

Antes de ser implantado, o transporte coletivo teve um estudo que apontou sua viabilidade em Flores da Cunha. Os números do estudo, segundo a secretária, não se traduziram na realidade. “As pessoas que utilizam outros transportes devem tomar consciência, assim como quem faz o transporte, que isso não é o ideal. O que foi visto no estudo não é realidade hoje”, enfatiza Ana Paula.

Conforme previsão da secretária, outras modificações ainda devem ser feitas no serviço buscando viabilizá-lo economicamente. “Após verificarmos o transporte e a fiscalização avaliaremos o contexto, repensando de acordo com o que está sendo praticado”, pontua Ana Paula, que prevê um encontro com todos os responsáveis pelos transportes ‘alternativos’ após a apuração das informações pelo Departamento de Trânsito.

Rotina: motoristas da empresa lembram que paradas estão sempre vazias. - Camila Baggio
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