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Orgulho que passa de geração em geração

Manter viva a chama do tradicionalismo gaúcho é uma tarefa que faz parte da rotina de Gabriel, Éverton e Benjamin

A proximidade com o 20 de Setembro, Dia do Gaúcho, provoca uma reflexão sobre como as tradições do nosso estado estão sendo mantidas em uma época dominada pelas mídias digitais e, ainda, em meio à uma pandemia que nos privou do contato com outras pessoas. 
Contudo, ao entrarmos na casa do empresário florense Éverton Scarmin, 42 anos, temos a certeza de estarmos em um endereço onde a tradição gaúcha bate à porta e que, mesmo em momentos conturbados, sempre é possível buscar alternativas para manter viva a paixão pelo RS.  Sentimento que ele herdou do pai, Valter Scarmin (in memoriam), que além de ter sido um grande incentivador da cultura rio-grandense, foi fundador de CTG e um parceiro de cavalgadas. 
“Me criei no tradicionalismo, desde que me conheço por gente. Dancei por muitos anos invernadas em CTG, sempre influenciado por meu pai. Então, boa parte do que eu e meus amigos somos hoje, a gente deve aos meus pais e aos amigos dele, que na época nos ensinaram a manter vivas as tradições e, fazemos isso até hoje”, lembra Scarmin. 
Atualmente, ele compartilha esse orgulho com o sogro, o empresário aposentado Gabriel Gotardo Sandi, de 62 anos; com o filho Benjamin, de apenas cinco anos; com a esposa Mônica Sandi Scarmin e, em breve, com o pequeno Arthur - que já tem a pilcha pronta para quando sair da maternidade, dentro do próximo mês, como um típico gauchinho. 
Gabriel, Éverton e Benjamin: três gerações unidas em torno do tradicionalismo, do andar a cavalo, tomar chimarrão e participar de atividades junto ao Centro de Tradições Gaúchas. O trio faz parte do CTG Querência de São Pedro, no qual Éverton integra a Comissão de Vaqueanos. “Essa entidade nós fundamos em 2013 e o nome Querência de São Pedro se deve também pelo padroeiro da nossa cidade e pelo fato de que aqui, antes de ser Nova Trento, era Vila de São Pedro, uma colônia de Caxias”, contextualiza Scarmin sobre a relação histórica do nome do CTG.  
No que diz respeito à pandemia, ele enfatiza que o que a família mais sentiu falta foi de ir aos rodeios e competir no laço, por ser um local que envolve a convivência no acampamento e a reunião em torno do preparo da comida, por exemplo. Já na parte artística, as danças, os bailes e as invernadas pararam, com isso, as atividades acabaram ficando mais restritas à família, mas, eles ainda conseguem encilhar os cavalos e andar no fim de semana pelas estradas do interior. 
Agora, pouco a pouco, os eventos estão sendo retomados. “No último fim de semana fomos ao Campeonato de Laço da 25ª Região Tradicionalista, com todas as regras e protocolos necessários. Cada CTG com o seu acampamento, isolado dos outros para laçar e voltar, com máscara, álcool e todos esses cuidados. Nós temos essa preocupação, a nossa entidade também zela por isso”, revela Scarmin, que complementa destacando que no início do mês os três foram buscar a Chama Crioula e levaram até o Centro Administrativo municipal.  
Essa alegria em preservar a história e a cultura de nossos antepassados também é descrita pelo sogro de Éverton. “Eu sempre gostei de manter as tradições, então é muito gratificante, eu me sinto orgulhoso e alegre por estar seguindo uma tradição do Rio Grande e ver o meu netinho Benjamin participando também, ainda mais com a pouca idade que ele tem. Ele sempre me motiva, quer andar a cavalo com o nono, aí eu acabei gostando mais ainda do tradicionalismo e estou cada vez mais apaixonado”, explica Sandi. 
Ver a herança gaúcha presente em três gerações por meio da indumentária, em um ambiente com fogão campeiro, pelego, chimarrão, cavalo e, ainda, ouvir o pequeno Benjamin tocar o berrante, são evidências de que, ao menos pelo que depender dessa família, por mais algumas décadas, a chama do tradicionalismo se manterá cada vez mais acesa e brilhante, aquecendo não só os dias 20 de Setembro, mas sim, todo o ano. 
“O tradicionalismo é uma das entidades que envolve toda a família, um local onde pode estar desde a criança até o avô, onde se cultiva e se aprende valores que a gente leva para o resto da vida”, finaliza Scarmin.

Por que Vinte de setembro?  
O dia 20 de setembro é feriado no Rio Grande do Sul, nele lembramos o Dia do Gaúcho, data em que teve início a Revolução Farroupilha, ou Guerra dos Farrapos, em 1835. Foi a revolta mais longa da história do Brasil: uma década. 
A luta, contra o Governo Imperial brasileiro, foi por melhores condições econômicas ao estado, especialmente novas alíquotas para o preço do charque e, em um segundo momento, separar o RS do restante do país. Após ser feito um acordo de paz entre as partes envolvidas, em Poncho Verde, a revolução chegou ao fim em 1º de maio de 1845. Muitas das reivindicações dos gaúchos foram atendidas, mas, o sentimento de valentia e identidade com o povo gaúcho são os aspectos mais enaltecidos e que merecem ser lembrados não só nesta data.

Na residência de Éverton Scarmin, em São Gotardo, a tradição gaúcha faz parte do cotidiano da família. - Karine Bergozza
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