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Comércio local: um desafio diário constante

Ao completar 35 anos, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Flores da Cunha percebe evolução local, mas com adversidades diárias

Foi para estreitar os laços e trocar informações, que a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) nasceu, em 6 de outubro de 1986.
Na data, um destemido grupo de 30 lojistas, comerciários e profissionais liberais se reuniram para fundar a entidade. O intuito era ter um local com a finalidade de congregar os lojistas, ao mesmo tempo em que trocavam informações sobre os istóricos de crédito de seus clientes, com a formação de um Conselho Deliberativo do SPC.
Agora, após 35 anos, a CDL reafirma seus compromissos com os associados e a comunidade, pondo-se protagonista e contribuindo, através do associativismo, com o desenvolvimento do mercado de consumo, a redução do risco de inadimplência, a ampliação das possibilidades de crédito, a profissionalização do mercado, o aprimoramento dos negócios e o envolvimento comunitário. Conta atualmente com 411 associados e oferece serviços de consulta ao SPC, convênios de telefonia móvel, plano de saúde, parcerias empresariais e certificação digital.
Mas, em 35 anos, muita coisa mudou. Conforme o atual presidente da entidade, Jásser Panizzon, no comércio não foi diferente. “Em 1986 o e-commerce e a venda por redes sociais eram uma suposição. Hoje são necessidades. Há 35 anos quem detinha todas as informações sobre os produtos e serviços eram os vendedores. Hoje é o cliente. São várias as mudanças que se impõem ininterruptamente para todos”, relata Panizzon.
Em sua fala, um dos maiores avanços: o digital. “Os lojistas já vinham ensaiando e aplicando esse modelo de atuação, mas foi a pandemia que forçou essa adequação. Hoje, se não todos, a maioria dos estabelecimentos já atua, mesmo que minimamente, valendo-se dos canais digitais”, revela o presidente. 
A CDL de Porto Alegre lançou um estudo inédito que avalia a transformação digital dos lojistas, em busca de verificar localmente a tendência global. Em parceria com a Vitamina Pesquisas, o estudo determinou quatro estágios de desenvolvimento rumo à transformação digital e serve como referência para uma compreensão aprofundada da evolução digital do varejo nacional. 
Os comerciantes foram classificados, em sua maioria, como digitalmente principiantes (40%), que estão iniciando algumas ações de transformação digital, principalmente nas redes sociais. As demais empresas foram avaliadas como digitalmente engajadas (31%), que já estão com ações de transformação digital em andamento; digitalmente avançadas (17%), com soluções digitais maduras e decisões com base nos dados; e, por fim, as digitalmente inovadoras (12%), possuem crescimento comprovado nas vendas com adoção de tecnologia e há um incremento contínuo. 
O mapeamento concluiu que, além do receio da transformação digital, há um receio de crescimento. Notou-se a dificuldade em operacionalizar uma expansão, que pode ser encarada como um momento crítico para os negócios. Outro temor identificado pelo estudo foi o distanciamento do consumidor, ou seja, de transformar uma relação muito próxima em impessoal. A mentalidade digital ainda não atingiu a maioria dos pequenos e microempresários, que esbarram em dificuldades de gestão, de recursos de tempo e financeiros e qualificações específicas para que a transformação digital flua com velocidade. Entre eles, 65% não possuem um profissional responsável por liderar a transformação digital. 
A pesquisa revelou que, para alguns, a justificativa por não estarem em plena transformação digital está atrelada ao perfil do consumidor, que pode não acompanhar a mudança e se distanciar das marcas. Mas a provocação que o estudo deixa é: será que o perfil do consumidor deve determinar a velocidade da transformação digital? Ou será que atribuir a não digitalização ao consumidor é uma forma de postergar uma mudança que demanda muito envolvimento e a saída da zona de conforto? 
Na íntegra, o estudo pode ser baixado no site https://www.cdlpoa.com.br.
Para a sócia-fundadora da CDL, Elizabet Pedron Curra, conhecida como a Bette da loja, que atua no ramo do comércio há 42 anos, a tecnologia não faz falta. “Não tenho cartão, nem pix. Faço meus carnês e pagamento à vista. Esse é o perfil de cliente que tenho, que também não estão presentes no digital”, declara. Mas quando precisa de ajuda, é à CDL que ela recorre. “No início era só SPC, todo mês vinha uma lista dos cadastrados. Hoje evoluiu muito: tem plano de saúde, de celular, certificado digital”, elenca Bette, que se diz satisfeita com o serviço. “Sempre fui muito bem acolhida. É um ganho para os lojistas”, afirma.  

A proximidade com Caxias do Sul e a qualidade no atendimento
Mesmo com diversos avanços, o comércio florense tem dois grandes gargalos: a proximidade com Caxias do Sul e a qualidade no atendimento. Sobre o assunto, o presidente da entidade, Jásser Panizzon, ressalta que “com características de metrópole, Caxias do Sul sempre levou as populações de cidades vizinhas a usufruir do que sua ampla estrutura fornece. Seja um serviço médico especializado ou a vontade de passear num shopping center, Caxias atende essa demanda que não consegue ser suprida em outras cidades, o que fez (e ainda faz) muitos cidadãos consumirem lá. Todavia, com o salto populacional que Flores da Cunha teve na última década, ampliando a gama de estabelecimentos, e com a consciência da comunidade, essa realidade já é bem diferente”, adianta Panizzon. 
Conforme o empresário Artêmio Mascarello, “muitas compras que poderiam ser realizadas aqui são feitas nas cidades vizinhas como Caxias e Farroupilha”, relata, afirmando que até mesmo comerciantes da cidade vão a Caxias do Sul fazer suas compras. “Me parece inveja: 'não compro do fulano porque tá indo muito bem ou porque ele tem itens na loja que eu tenho na minha'. Penso que isso não ajuda na evolução do nosso comércio e do municipio”, declara, reiterando que o comércio precisa ser mais unido.
Outra ressalva é a qualidade do atendimento que precisa evoluir. “Alguns estabelecimentos ainda pecam no atendimento, fator crucial para o sucesso dos negócios. É uma tecla que se bate desde a fundação da CDL, mas ainda é torpe um atendimento de excelência. Mão de obra qualificada e comprometida são gargalos que também prejudicam, o bom andamento dos negócios”, informa Panizzon.

Os avanços na entidade
“Eu sempre digo que cada diretoria que passou pela CDL ao longo destas três décadas e meia fez a sua parte, do seu jeito, para construir os degraus que tornaram a entidade uma das mais importantes do município”. As palavras do atual presidente retratam o esforço e o trabalho de cada empresário que atuou na entidade, deixando de ser uma instituição que somente armazenava dados de inadimplência para ser uma parceria dos negócios de seus associados. “Eu penso que a aquisição da sede com recursos próprios, a ampliação de benefícios e o crescimento das campanhas de venda com injeção de dinheiro no comércio são alguns dos destaques”, enfatiza Panizzon. 
E essa conquista da sede própria veio na gestão de Artêmio Mascarello. “O mundo evolui e tudo ao longo do tempo vai tendo sua evolução natural. 
Assumi a CDL em 2005, na época a entidade lutava para sobreviver. Tínhamos em torno de 150 associados, pagavamos aluguel em uma sala de 60m² no segundo piso do Clube Independente e, na minha gestão, adquirimos uma sala de mais ou menos 150m², onde é nossa sede hoje. Encerramos a gestão com cerca de 300 associados. A partir daí, as novas gestões só tiveram avanços. Hoje temos uma entidade sólida e atuante”.
Sobre o sistema de proteção de crédito, um dos principais objetivos para a criação da entidade, atualmente as informações estão mais robustas para minimizar ainda mais os riscos da inadimplência. De acordo com a entidade, 3.000 CPFs e 127 CNPJs florenses estão inclusos no SPC, uma redução média de 20% em relação ao ano anterior. O valor total de dívidas, em outubro de 2021, teve uma redução de 17,5% em relação a 2020, atingindo R$ 3.476.970,90, quase R$ 1 milhão de reais a menos. “Além das informações locais, hoje o SPC congrega dados de nível nacional, além de bancos, SERASA e cartórios”, explica Panizzon.

 - Divulgação
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