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Cinco personagens serão representados na Fenavindima 2020

Frei Salvador, Nona Joana, O Mágico e o Galo, Sanguanel e Nanetto Pipetta personificam a história e cultura de Flores da Cunha

Assim como a natureza é constituída por elementos, a FenaVindima também é representada por cinco personagens. Eles personificam a história e cultura de Flores da Cunha e da festa. Conheça-os:

Frei Salvador

Nascido Hermínio Pinzetta, em 29 de julho de 1911, no município de Casca, era filho de agricultores e teve 12 irmãos. Desde criança foi cristão exemplar e aos 32 anos entrou para o seminário dos Freis Capuchinhos em Marau. Tornou-se Leigo Professo da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos em 1948 e permaneceu em Flores da Cunha até 1972, ano de sua morte. Levava uma vida humilde. Tinha como características a fé, caridade, oração e trabalho. Gostava de distribuir sementes e mudas para os vizinhos e conhecidos da cidade. Era aguardado com expectativa na época da colheita da uva, pois costumava passar na colônia de carreta para apanhar a uva para a produção de vinho, que ele próprio ajudava a produzir para ser utilizado na missa.
Levava Eucaristia aos doentes, tendo sido o primeiro Ministro Extraordinário da Eucaristia da Diocese de Caxias do Sul. Faleceu em 31 de maio de 1972 e o processo para sua beatificação iniciou cinco anos após sua morte. Anualmente em Flores da Cunha acontece a Romaria Vocacional ao Eremitério do Frei Salvador, local onde costumava rezar diante de Nossa Senhora de Fátima. Que o Venerável Frei Salvador continue a inspirar a todos com sua história de profunda fé.

Nona Joana

A personagem da Nona Joana – como vamos chamá-la a partir de agora – foi na verdade Joana Menegolla. Era uma senhora de estatura baixa, muito humilde, alegre, sempre sorridente e trabalhadora. Gostava muito de animais. Cuidava de gatos, cachorros, cabras e criava galinhas. Além de manter seu pequeno parreiral, que auxiliava no seu orçamento com a venda da uva na Cooperativa São Pedro, tinha sua horta. Ela cultivava terras que arrendava de terceiros nos arredores da cidade, para o cultivo do trigo e do milho. Por ser bastante pobre, recebia doações de pessoas da cidade. O que caracteriza esta personagem de fato é o seu ofício. Ela era a cozinheira – em Talian a coga – oficial das festas (sagras) e casamentos do Salão Paroquial de Flores da Cunha.
Era responsável pelo tradicional almoço típico que consistia em: sopa de agnolini, lesso com crem, galeto a rosto, pão de forno, salada de batata, radici e biscoito ou cuca com café de sobremesa. O churrasco era feito ao lado do Salão e vendido por espeto. Na parte térrea do salão, algumas senhoras doceiras da comunidade faziam as sobremesas em casa: torta de pão-de-ló, sagú, pudim e vendiam durante o dia. Segundo depoimentos de pessoas que conheciam a Nona Joana, muita gente de Caxias do Sul vinha para apreciar a sua comida. Joana Menegolla era uma pessoa trabalhadora e de muita fé, sempre dedicada ao seu oficio de cozinheira. Por isso representa a mesa farta e a gastronomia italiana, tão apreciada e que encanta os visitantes, bem como o árduo trabalho do povo florense em todos os tempos.

O Mágico e o Galo

Flores da Cunha é conhecida como a "Terra do Galo". Tal alcunha advém de um episódio ocorrido na década de 1930, quando o município ainda se chamava Nova Trento. Um mágico, chamado Pedro Aldo Spinato, teria passado pela cidade e prometido que durante o espetáculo cortaria a cabeça de um galo e que com uma mágica o faria cantar novamente. Chegado o momento do espetáculo, convocou o delegado e o prefeito para segurarem o galináceo. Tendo decapitado a pobre ave, iniciou uma série de gestos e magias. Dizendo que havia esquecido o “pó mágico” nos bastidores, recolheu o dinheiro da bilheteria e fugiu deixando os presentes por algum tempo a esperá-lo de volta ao palco.
O mágico nunca mais foi visto e o povo foi para casa sem compreender o que havia acontecido. Isso foi motivo de muita vergonha e deboches, advindos principalmente de moradores dos municípios vizinhos. Somente na década de 1960, por iniciativa do empresário Elóy Kunz, foi possível revisitar o passado e recontar a história da vergonha como uma história de graça e de alegria. Apesar das desventuras, Flores da Cunha se orgulha de sua história e de ser conhecida como a Terra do Galo, da Uva e do Vinho.

Sanguanel

O Sanguanel, também chamado de Massariol, é um mito da região ítalo-gaúcha, cuja a crença é muito viva ainda no presente. É um ser pequeno, vivo, de cor vermelha que, a rigor, não faz mal a ninguém, mas prega grandes sustos em quem o vê. Ele vive pelos pinheirais da serra e seu prazer é raptar crianças, as quais esconde na copa das árvores, em meio à mata ou nos peraus. Entretanto, não as maltrata. Ele as alimenta com mel e água. Após o rapto, as crianças ficam em estado de sonolência e pouco se lembram do acontecido, embora não esqueçam da figura vermelha, o ninho no pinheiro e o mel trazido numa folha.
O Sanguanel raramente se envolve com adultos. Nesses casos assume o papel de vingador engraçado, fazendo picardias e provocações aos preguiçosos e bêbados, mas tudo sem maldade. Ao andar por entre os pinheirais de nossa região, fique atento aos sinais: pode ser o Sanguanel.

Nanetto Pipetta

Nanetto Pipetta (João do Cachimbo, no equivalente em português) é um personagem fictício, símbolo das utopias acalentadas pelos imigrantes italianos em contraste com a dura realidade que enfrentaram na empreitada colonizadora. Foi criado pelo Frei Aquiles Bernardi, filho de imigrantes e frade da Ordem dos Capuchinhos, em 1924. O personagem Nanetto, nasceu na Itália e veio para América em busca da cucagna. Era ingênuo, esperto, puro e trabalhador e personifica com fidelidade os que vieram da Itália para o Novo Mundo.
Suas histórias eram tão populares que foram surgindo em todo canto. Em 1937 a coletânea de crônicas foi compilada num livro com o título de "Vita e Storia de Nanetto Pipetta". No período da ditadura de Vargas, quando foi proibido falar o Talian e eram recolhidos os livros em Talian, os textos eram escondidos como relíquias e símbolo da resistência italiana. A partir de 1970 Nanetto ressurge com histórias novas em inúmeros livros e jornais. Nanetto Pipetta é, sem dúvida, o personagem que representa a esperança e o sonho de um futuro digno carregado no coração de todos os imigrantes.

 - Ilustração
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