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Aulas não serão retomadas no início de maio

Com a volta das atividades econômicas, muitos pais não têm com quem deixar as crianças e escolinhas particulares estão preocupadas

O governador Eduardo Leite anunciou nesta terça-feira, dia 28, em transmissão ao vivo na internet, que as aulas das redes pública e privada não serão retomadas na próxima segunda-feira, dia 4 de maio, conforme esperavam muitos pais e responsáveis. De acordo com o chefe do Executivo gaúcho, o governo ainda necessita de dados consolidados para definir se as atividades retornarão ao longo do mês de maio ou junho, respeitando o distanciamento social controlado que será implantado no Rio Grande do Sul observando as características de cada região. Leite acrescentou ainda que a liberação das aulas vai demandar a compra de equipamentos para garantir a proteção de funcionários, professores e alunos.

Mas a pandemia do coronavírus está alterando a rotina de muitas pessoas, principalmente dos pais. Com a reabertura da indústria e do comércio e a volta ao trabalho, muitas famílias estão precisando se readequar já que as escolas permanecem fechadas.

É o caso dos pais da pequena Estela Menegat Pacheco, três anos e 11 meses, Maristela Menegat e Felipe Pacheco, que estão preocupados com a situação. Nesse mês de abril, Maristela, que é administradora, conseguiu trabalhar de casa, mas a partir de maio ela precisa retornar ao trabalho presencialmente. “Não sei o que fazer, porque não tenho com quem deixar a Estela. Estou apavorada”, comenta.
 
Estela estuda na Escola Infantil Estrelinha Mágica e a família enfatiza que precisou pagar a mensalidade. “Estamos nos virando até o momento, mas a situação é bem complicada. Espero que as escolas consigam abrir e, pelo menos, atender a quem realmente necessita”, finaliza.

A vendedora Mikaelen Mezzomo também vive na incerteza de quando a filha, Aurora, de dois anos, poderá retornar à Escola Lua Encantada. Embora a instituição envie tarefas online, a mãe prefere envolver a pequena em atividades externas, como pescar, brincar na terra, passear pelo mato e plantar legumes na horta, na casa dos avós, no interior do município. Outra preocupação é em relação ao pagamento das mensalidades. “Na mensalidade do mês passado foi cobrado proporcional e este mês falaram que iriam reduzir o valor”, afirma.

Algumas escolinhas particulares de Flores da Cunha estão se reunindo para tomar providências e tentar voltar com as atividades a partir do mês de maio. “Muitos pais já estão entrando em contato com a escola para ver uma possível retomada das atividades, pois a maioria trabalha e precisa deixar a criança com algum familiar. Estamos vendo situações de responsáveis perdendo o emprego porque não têm com quem deixar o filho”, afirma a sócia proprietária da Escola Infantil Brincando e Construindo, Manuela Cavalheiro.

A escola é nova no município. Abriu em novembro de 2019 e atende 22 crianças de zero a cinco anos. “Algumas atividades pedagógicas estão sendo passadas para as crianças fazerem em casa como uma forma de interação entre pais e filhos, mas queremos o quanto antes voltar com as atividades”, declara.
 
As mensalidades da escola Brincando e Aprendendo estão sendo acordadas com os responsáveis. “Estamos conversando com cada pai a melhor forma de resolver a situação, mas estamos dando descontos nesse período e até fazendo parcelamento. Por enquanto, estamos tentando levar dessa maneira, até mesmo para conseguirmos manter a escola e os funcionários”, afirma Manuela. Para uma possível volta no mês de maio, a escola já está se organizando e pensando nas medidas de prevenção contra a Covid-19.

“Não é o momento de abandonar as escolas”
O vice-diretor da Escola Passos para o Futuro, Sérgio Baggio, enfatiza que agora é a hora da sociedade escolar ficar unida. “Entendemos que a escola precisa estar aberta num futuro e se agora todos desistirem, aonde as crianças vão estudar? Não é o momento de abandonar as escolas”, declara Baggio, enfatizando que a Passos para o futuro deu desconto de 40% em todas as mensalidades. “Temos 21 funcionários que dependem da escola. Até o momento não demitimos ninguém e não é nossa intenção”, afirma. 

Baggio também informa que possui alguns pais que não se sentem na obrigação de pagar as mensalidades, já que a maioria está contratando uma pessoa para cuidar dos filhos nesse período. “É um momento bem complicado e entendemos, mas a escola está fazendo seu papel diminuindo os custos, então vemos que os pais também precisam se esforçar e incentivar as escolas”.  

Os professores estão encaminhando atividades para as crianças fazerem com a família, mas não é obrigatório. “Também pedimos que os pais esclareçam para as crianças o que está acontecendo e que a escola está fechada temporariamente. Os pequenos não podem esquecer da escola e nem dos professores”, enfatiza Baggio. A Passos para o Futuro possui 120 alunos.

Na Escola de Educação Infantil Madre Assunta, a tecnologia também tem sido utilizada para manter o contato com as crianças e suas famílias desde o fechamento do lugar, há 45 dias. Enquanto as atividades não são retomadas, os professores enviam sugestões de tarefas para os filhos realizarem em casa com o acompanhamento dos pais.

“No dia 15 de maio comemoramos 25 anos junto à comunidade florense. Em todos esses anos, nunca tínhamos nos deparado com uma situação dessas. Estamos passando por um momento delicado, que nos exige cada vez mais união. Venceremos esta situação juntamente com pais, crianças, colaboradores e fornecedores, como uma verdadeira família”, salienta a diretora Ironite Gema Toigo. Ela acrescenta que, em relação aos pagamentos das mensalidades, as decisões foram tomadas em conjunto com os pais. “Permanecemos com os nossos colaboradores visando à perpetuação da empresa e em prol da economia”.

Com 80 alunos entre quatro meses e cinco anos de idade, a Escola de Educação Infantil Magali aposta em ferramentas como as redes sociais, especialmente o Instagram e a agenda digital, para encorajar os alunos por meio de atividades pedagógicas, desafios e brincadeiras que estimulem a interação da criança com o contexto em que ela está inserida, de forma lúdica e criativa. 

Conforme a sócia-gerente Laís Lorenzet, a expectativa é poder retomar as atividades em maio. “As mensalidades estão sendo negociadas diretamente com os pais. No momento, os funcionários estão com férias coletivas, porém de acordo com as próximas mudanças, poderá haver suspensão de contrato. O momento é crítico para todos”, lamenta Laís.

“Jamais poderemos isentar mensalidade”
A diretora da Escola de Educação Infantil Lua Encantada, Vanessa Meneguzzo, também defende a reabertura das escolinhas, argumentando que muitos pais e responsáveis estão, gradativamente, voltando ao trabalho e não têm com quem deixar os filhos. Enquanto isso, os alunos seguem recebendo sugestões de atividades por meio do aplicativo Minha Escola e do WhatsApp. 

Conforme Vanessa, a situação tem dividido os pais em relação às mensalidades. “Existem pais que entendem e com quem podemos contar sempre, como existem questionamentos e aqueles que não entendem e acham que não devem pagar. Jamais poderemos isentar mensalidade. Elas são nosso meio de sobrevivência. Não estamos prestando o serviço, mas precisamos manter a estrutura e os funcionários até tudo isso passar”, explica a diretora, complementando que a escola estuda um desconto geral de mensalidades. “Se não voltarmos logo, acredito que poderá haver demissões e até fechamento de escolas devido a fim de contratos e falta de dinheiro”, prevê.

Escola de Educação Infantil Magali - Divulgação
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1 Comentários

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    Gostaria de saber. Vcs procuram saber ou perguntaram aos pais quanto as escolas estão cobrando . Ou se estão cobrando.



    Comentário editado pela redação.

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