Geral

A tecnologia que integra a história dos imigrantes

Reportagem que encerra série especial de maio apresenta utensílios e equipamentos conservados que foram usados pelos colonizadores

Um pavilhão inacabado que serve de depósito para uma série de objetos, numa área rural na localidade de São Gotardo de Ana Rech, no interior de Caxias do Sul, é o local escolhido para o futuro empório de antiguidades que marcaram o desenvolvimento dos imigrantes italianos há quase um século e meio. Apaixonado por antiguidades e preocupado em preservar a história e a cultura dos antepassados, há 10 anos o agricultor e lenhador Darci Troian, 61 anos, também conhecido como o ‘Homem da Lenha’, coleciona objetos e utensílios que vão desde o aparelho de barbear ao cartucho de canhão e projéteis de fuzil. Esta reportagem encerra a série especial de maio do O Florense que homenageia os 140 anos da Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, celebrada na semana passada, dia 20.

A lista do acervo de Troian é bastante grande. Ali estão, por exemplo, além da carroça puxada por mulas, trilhadeira de trigo, arado, máquinas de sulfatar, bombas de água, pilão de triturar milho, torrador de café, máquinas manuais de costura, de plantar milho e de matar formigas, rádios, lampiões a querosene, armadilhas para animais selvagens e até bolas de bocha fabricadas em madeira, entre muitas outras raridades. As imagens que ilustram estas duas páginas foram captadas do acervo de Troian e no Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi de Flores da Cunha.

No distrito caxiense de Vila Seca a família Troian pretende, em breve, montar um museu com as peças – algumas necessitam de restauro. Integram o acervo mais 200 utensílios usados por comerciantes e agricultores, todos imigrantes ou descendentes. Por trás de toda a organização, além de Darci, está a esposa Valdirene Varela Hoffmann. “Poder um dia mostrar para os nossos filhos e netos as coisas que os antepassados usavam não tem preço”, destaca Troian.

Parte das peças é oriunda de doações feitas por familiares, amigos e moradores da região. Outras foram adquiridas. Segundo o agricultor, a ideia é resgatar a memória dos antigos e mostrar para as futuras gerações o quanto era difícil a vida no meio rural numa época em que era tudo manual, muito diferente dos tecnológicos e atribulados dias de hoje.



Troian, que há 10 anos coleciona objetos, com uma rústica máquina de sulfatar. - Antonio Coloda
Compartilhe esta notícia:

Outras Notícias:

0 Comentários

Deixe o Seu Comentário