Economia

Estudo aborda economia caxiense em tempos de pandemia

Publicação do Observatório do Trabalho visa identificar as alterações econômicas em Caxias do Sul

Neste mês de maio, em que é celebrado o Dia do Trabalho, o Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul lança uma publicação especial que visa identificar quais as alterações na economia caxiense, especialmente no mercado formal de trabalho, considerando os efeitos gerados pela atual pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O estudo, intitulado ‘O Trabalho em Caxias do Sul em Tempos de Pandemia’, aborda o cenário que estava se desenhando para o ano e a radical mudança ocasionada pela pandemia no âmbito econômico. 

Antes da pandemia
No final do ano observava-se uma recuperação gradual dos postos formais de trabalho em Caxias do Sul e esperava-se uma maior abertura de empregos em 2020. Segundo os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, o município teve cem novas contratações em 2019, totalizando cerca de 157,4 mil empregos formais, representando um acréscimo de 0,07% em relação a 2018. Apesar da variação positiva, o nível de empregos esteve abaixo daquele observado em 2012, ano com maior número de vínculos da série histórica, com 179,9 mil empregos com carteira assinada. Além disso, o número de empregos formais no ano de 2019 esteve a níveis de 2009, que caracterizou-se com 157,3 mil postos formais, assim, percebe-se a lenta recuperação dos empregos formais após a crise econômica de 2014.

Cerca de 95,5% dos vínculos formais do município caxiense não pertencem à Administração Pública. Dessa forma, quanto mais otimistas forem as empresas, mais elas irão contratar mão de obra e, com isso, haverá aumento dos empregos. Nesse sentido, a fim de analisar melhor o cenário que estava se desenhando antes da pandemia convém explorar quais eram as expectativas das empresas para a economia local. De acordo com as informações do Desempenho da Economia de Caxias do Sul elaborado pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC) e pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), a economia caxiense cresceu 5% em 2019. Entre os setores, o Comércio teve o maior crescimento, com 11,5%, seguido pelos Serviços, com 10,3%. Já o menor crescimento ficou por conta da Indústria, com 0,1% de alta. Desse modo, com o crescimento da economia, as empresas estimavam um aumento do seu desempenho no próximo ano. Segundo o Termômetro de Vendas da CDL publicado no mês de dezembro, “[2019] encerrou com um cenário para 2020 delineado de tal forma que inspira confiança nos agentes econômicos”. O comércio do município apresentou no ano um crescimento real e uma redução do aumento da inadimplência, em que esses dois fatores em conjunto deu esperança aos empresários de que provavelmente 2020 seria também um ano marcado pela expansão do setor.

Durante a pandemia

Esperava-se um aumento do número de empregos formais e do desempenho dos setores no ano de 2020, em Caxias do Sul. No entanto, o Covid-19 comprometeu o cenário de expectativas positivas, trazendo desequilíbrios e incertezas, e gerando um raro choque entre oferta e demanda. No primeiro momento, as atividades ligadas ao Turismo foram as primeiras prejudicadas, posteriormente com as medidas de quarentena e de paralisação das atividades a Indústria, o Comércio e os Serviços foram atingidos. No atual cenário com insegurança financeira e o distanciamento social, as pessoas estão buscando comprar apenas o necessário. Segundo os dados da CDL de Caxias do Sul, o Comércio da cidade está deixando de faturar R$ 3,6 milhões por dia, representando uma queda de 58% do faturamento. Além disso, até nas datas comemorativas houve redução do consumo. De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul (Sindilojas), as vendas do Comércio retraíram 35% no Dia das Mães no município, em relação ao mesmo período em 2019.

Observa-se que os setores que mais empregavam a população caxiense em 2019 eram a Indústria de Transformação, Serviços e Comércio, respectivamente, que juntos representavam cerca de 90,8% do total de empregos da cidade. Os mais afetados com a crise são os Serviços e o Comércio, que representam cerca de 50,7% dos postos de trabalho do município, eles empregam 52,3 mil e 27,4 mil, respectivamente. Dessa forma, como esses setores serão os mais impactados negativamente espera-se que eles reduzam os seus postos de trabalho. Assim, acredita-se que nesse período da pandemia haverá mais pessoas demitidas que contratadas no município, seguindo a lógica da expectativa para o Brasil. No âmbito empresarial, de acordo com dados do Sebrae de 11 de março de 2020, Caxias do Sul contava com 64.231 empresas. Destas, 29.292 eram microempreendedores individuais (MEI), 23.585 eram microempresas (ME) e 5.036 eram empresas de pequeno porte (EPP). Das empresas totais do município, 28.191 são de Serviços, 18.351 são de Comércio, 11.478 são da Indústria, 6.036 são da Construção Civil e 175 empresas são da Agropecuária. Em janeiro de 2020 o número de empreendimentos era de 65.039 no total, ou seja, nesses primeiros meses do ano, pouco mais de 800 CNPJs foram encerrados.

Mudanças

Os microempreendedores individuais são mais significativos nos setores de Serviços, Indústria e Construção Civil, representando 13.851, 4.460 e 4.041 empresas, respectivamente. Já nos setores de Comércio e Agropecuária, a maior parte dos empreendimentos é formada por microempresas, com 8.217 e 61 empresas, respectivamente. Cabe evidenciar que segundo estimativas do Governo do Rio Grande do Sul, o estado deve ter perdido 30% da sua arrecadação em maio devido à pandemia, representando uma queda de R$ 700 milhões em ICMS aos cofres públicos, sendo que os Serviços e o Comércio representam juntos 47% das receitas, sinalizando uma queda do nível de atividade econômica.

É possível observar como a quantidade de pessoas que estão solicitando o seguro-desemprego se comportou antes e como está se comportando nessa pandemia. Primeiramente, antes da pandemia observa-se que o mês com 9 maior solicitação do benefício foi em julho de 2014, com 51,4 mil. Além disso, constata-se que o menor número de pedidos foi em outubro de 2009, com 20,8 mil. No atual cenário, os meses de janeiro e fevereiro de 2020 caracterizaram-se com menor nível de solicitações ante o mesmo mês em 2019, janeiro teve redução de (-1,58%) e fevereiro diminuição de (-10,38%).

No Brasil, as medidas de isolamento aplicadas como prevenção ao Covid-19 podem ter influenciado a taxa de população ocupada, que teve queda de 2,5%, o que representa cerca de 2,3 milhões de pessoas, assim como o número de pessoas fora da força de trabalho, que subiu para 67,3 milhões, número mais alto desde 2012. Ademais, os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua também trazem a taxa de desocupação do país, que subiu para 12,2% no primeiro trimestre de 2020, somando 12,9 milhões de desempregados, 1,2 milhão de pessoas a mais à procura de emprego na comparação com o último trimestre de 2019. No entanto, o aumento da taxa de desemprego pode não estar diretamente relacionada ao isolamento, já que o início de ano é um período que costuma ter mais desligamentos devido às contratações temporárias características dos finais de ano. A queda da taxa de população ocupada demonstrou que os mais afetados pelo distanciamento social são os trabalhadores informais. Dos 2,3 milhões de pessoas que deixaram o grupo dos ocupados, 1,9 milhões são trabalhadores informais, sem carteira de trabalho assinada e sem CNPJ, que inclui os trabalhadores domésticos, os empregadores, os trabalhadores por conta própria e os trabalhadores familiares auxiliares. Dessa forma, devido às ações para combate ao Covid-19, a taxa de informalidade passou de 41% para 39,9% no primeiro trimestre de 2020.

As informações completas podem ser acessada no site ucs.br, na página do Observatório.

 

 - Divulgação
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