Representante florense no Senado

Por Larissa Verdi – Larissa@jornaloflorense.com.br | 01 de Dezembro de 2017 às 14:02

Estudante Geysa Berton, da Escola São Rafael, venceu concurso nacional de redação e representa o Rio Grande do Sul no projeto Jovem Senador

A estudante florense Geysa Berton, 17 anos, do 3º ano da Escola Estadual São Rafael, foi selecionada para representar o Rio Grande do Sul no projeto Jovem Senador, de autoria do gaúcho Paulo Paim (PT). Os autores das 27 melhores redações do país – um por Estado – vivenciam esta semana em Brasília o processo de discussão e elaboração das leis do país, simulando a atuação dos senadores. O tema proposto este ano foi Brasil plural: para falar de intolerância. Geysa viajou acompanhada da professora Edolesia Andreazza.

O Jovem Senador é realizado anualmente e proporciona aos estudantes de até 19 anos do ensino médio das escolas públicas estaduais o conhecimento sobre a estrutura e do funcionamento do Poder Legislativo no Brasil. Além de atividades relacionadas ao programa, professores e alunos também conhecerão a Capital Federal até este sábado, dia 2 de dezembro.

Confira aqui o bate-papo do senador Paulo Paim com a estudante Geysa Berton

A redação

Era para ser mais um trabalho das aulas de Língua Portuguesa. Os alunos do ensino médio da Escola Estadual São Rafael escreveram redações para o concurso Jovem Senador, proposto anualmente pelo Senado. A professora Edolesia Andreazza incentivou os alunos e teve certeza que teria excelentes resultados. E assim aconteceu. O texto da aluna Geysa Berton, 17 anos, do 3º ano, foi selecionado e representa o Rio Grande do Sul no Senado. Pela primeira vez, Flores da Cunha teve um aluno representante no concurso, professora e aluna transbordam de orgulho. “O nível das redações da escola estava muito bom, eu sentia que teríamos algum finalista. Quando escolhemos a redação da Geysa para concorrer, ficamos cheios de esperança, pois o trabalho dela nos surpreendeu”, conta Edolesia. 

Geysa é uma menina comunicativa e muito expressiva. Ela encontra as palavras com facilidade e está muito empolgada com a viagem à Brasília e toda a vivência que esta experiência lhe proporcionará. A notícia que havia se classificado veio por meio de uma rede social, quando a vencedora do ano passado do Rio Grande do Sul a contatou. “Eu fiquei eufórica. Não conseguia acreditar e fiquei muito feliz. Apesar de sempre procurar fazer o melhor em tudo o que me proponho, foi uma surpresa maravilhosa”, destaca a adolescente que pensa em fazer vestibular para Psicologia.

Após a classificação, aluna e professora precisaram apresentar uma proposta para ser votada entre os senadores jovens para ser tramitada no Senado. A proposta de Geysa é de aumentar as porcentagens de cotas sociais para acesso ao ensino público superior. “Aqueles que dispõem de menor renda devem ter prioridade para usufruir do sistema público. Seria uma medida importante para a educação e para a economia brasileira, que por meio do estudo, daria condições melhores à população que precisa”, defende a jovem. A professora afirma que sua proposta é ousada, mas que argumentos não faltam à Geysa para defender a ideia.

Edolesia, que leciona na escola florense pelo primeiro ano, sente-se realizada e conta que falta os professores acreditarem mais no potencial dos seus alunos. “Passar confiança para essa geração supercapaz é fundamental para eles se superarem. É preciso mostrar que quem tem coragem de ousar consegue ir além”, frisa. O apoio da escola e dos alunos está motivando ainda mais Geysa, que espera da oportunidade uma experiência enriquecedora. “Só tenho a agradecer o suporte dado pela profe Edolesia. Sinto-me honrada em representar minha escola, minha cidade e o meu Estado”, destaca.

 

A Redação de Geysa Berton

Uma Nação de Pluralidade Singular

A diversidade que caracteriza o Brasil está presente por todos os cantos desta Pátria. Variadas religiões, posições socioeconômicas, estilos musicais e etnias juntam-se, formando uma multiplicidade indubitável e com características únicas de cada um dos 207 milhões de habitantes, tornando o Brasil um país cosmopolita. Contudo, ao passo que a nação brasileira vai em busca da igualdade e união entre contrastes, o preconceito ocupa um lugar na sociedade brasileira contemporânea. Esse, regido pela intolerância do cotidiano, deve ser combatido, a fim de fortalecermos os vínculos entre as diferenças, abolindo a desigualdade.

A cultura adotada pelo povo brasileiro transcende fronteiras: desde a prática da umbanda até o budismo; do berimbau, passando pelas guitarras do rock, à batida do funk; da feijoada ao sushi; do cocar do indígena do Norte à bombacha do gaúcho do Sul; da família patriarcal à família moderna. Os limites imaginários do povo brasileiro não possuem início nem fim, caracterizando a pluralidade singular da nação. Contudo, acentuando diferenças que, inúmeras vezes, trazem consigo a amargura da discriminação.

A intolerância, provinda de pensamentos conservadores cultivados diariamente por meio de discursos corriqueiros, alcança cada vez mais vítimas. A doutrinação e a alienação permitem a visão distorcida de outros pontos de vista, fazendo-nos crer num ideal egocêntrico. Esses fatores naturalizam a violência – verbal e física –, o bullying e a opressão contra minorias, agravando-as cada vez mais. Dessa forma, a liberdade cultural e de expressão, direito contido na Constituição Federal, passa a ser mais limitada, prejudicando a sociedade brasileira e o progresso do país.

Em síntese, é inquestionável a importância da diversidade e o cultivo da compreensão às diferenças no Brasil hodierno. O poeta Octavio Paz escreveu: “O que põe o mundo em movimento é a interação das diferenças, suas atrações e repulsões; a vida é pluralidade, morte é uniformidade”. Dessa forma, visando ao bem comum e ao respeito perante os inúmeros contrastes, faz-se necessário o investimento por parte do governo em campanhas veiculadas nas escolas e na mídia frisando as distintas linhas ideológicas referentes à religião, aos costumes e à importância da igualdade entre todos no país, independentemente de outros fatores. Assim, aprenderemos a conviver em uma Nação de pluralidade singular, sem pré-conceitos.

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