Prejuízos com o granizo ainda são calculados

Por Fabiano Provin - Fabiano@jornaloflorense.com.br | 25 de Novembro de 2017 às 10:26

Temporal atingiu mais de 350 propriedades. Intempérie registrada pouco antes do meio-dia de 21 de novembro causou estragos em Flores da Cunha e Nova Pádua

O granizo que despencou do céu pouco antes do meio-dia da última terça-feira, dia 21 de novembro, é a única explicação para as lágrimas que escorreram pelo rosto da agricultora Eliane Smiderle Guareze, 46 anos, e encharcaram os olhos do agricultor Glademir Guareze, 53 anos, na localidade de Cerro Largo, no interior de Nova Pádua. Eles não contiveram a emoção ao avistarem as parreiras da variedade Bordô cultivadas em 1 hectare que ficaram seriamente machucadas após o temporal registrado na Serra que causou danos em plantações frutíferas e de hortigranjeiros em alguns municípios.

Eliane diz que a intempérie foi repentina. “Era uma nuvem de chuva, não parecia que viria um temporal com chuva de pedras. Tudo foi muito rápido e com muito vento. Nossas uvas estavam prontas”, lamenta a agricultora. Guareze complementa que em 2016 eles colheram 30 mil quilos de Bordô na propriedade, e que a estimativa era ultrapassar essa quantidade este ano. “O pior é que ano passado tínhamos seguro, este ano não fizemos”, revela o agricultor. “Parece castigo”, emendou Eliane, que ao enxugar as lágrimas voltou o olhar para as videiras. O tratamento das plantas danificadas começou no dia seguinte à tempestade, com orientação do secretário de Agricultura paduense, Samoel Smiderle, visando a recuperação das plantas e projetando a produção do próximo ano.

Em Nova Pádua, as regiões mais atingidas, além do Cerro Largo, foram os travessões Santo Isidoro, Paredes, São João Bosco (Capoeirão) e Cerro Grande, segundo levantamento feito pelo secretário Smiderle e por Willian Heintze, do escritório local da Emater-RS/Ascar. Ao todo, 96 famílias tiveram suas propriedades atingidas, com estragos que devem comprometer 10% da produção total do município. Em 2016, conforme dados do Cadastro Vinícola do Instituto Brasileiro do Vinho, Nova Pádua registrou uma safra de 37,2 milhões de quilos de uva – foi o 6º maior produtor do Estado – e produziu 2,7 milhões de litros de vinho.

‘Coràio’

Olhando para chão, ajeitando o chapéu Panamá na cabeça diversas vezes ao enxergar as uvas dilaceradas pelo granizo, o agricultor Ildo Stangherlin, 62 anos, do Travessão Paredes, em Nova Pádua, também lamentou o temporal desta semana. A chuva de pedras de gelo atingiu os 8 hectares de sua produção de parreiras. “Quando sair o sol é que veremos o estrago. Há 15 anos eu não via um granizo como este”, recorda Stangherlin, que é vereador pelo PP e popularmente conhecido por ‘Pipa’. Além da Bordô, ele cultiva Isabel, Niágara e Moscato R2. “Eu que faço vinho preciso só do filé, ou seja, matéria-prima boa. Queremos que os filhos permaneçam na agricultura, mas situações como essa nos fazem refletir. Coràio, é preciso coragem”, emenda o produtor que ano passado colheu 160 mil quilos da fruta e produziu 40 mil litros de vinho. “Além do prejuízo com as perdas, agora tenho de gastar com o tratamento. O pior é que além desta safra, teremos problemas na próxima, pois as plantas foram machucadas”, constata Stangherlin, que fez seguro agrícola.

Em Flores da Cunha

Em Flores da Cunha, de acordo com levantamento preliminar da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, o granizo desta semana atingiu 300 parreirais, sendo que pelo menos 260 agricultores tinham procurado as seguradoras para buscar ressarcimento dos prejuízos. Assim como em Nova Pádua, em Flores as perdas chegaram a 50% em algumas propriedades, principalmente na produção da uva – pomares de pêssegos e plantações de cebola e milho também foram atingidas. As localidades mais atingidas em Flores da Cunha foram as linhas 60, 80 e 100, São Gotardo e travessões Martins e Alfredo Chaves. Segundo a secretária de Agricultura, Stella Pradella, os agricultores estão recebendo orientações técnicas para amenizar os danos nas plantas. “Nossos técnicos, em parceria com a Emater-RS/Ascar e o Sindicato Rural, estão trabalhando com os produtores para analisar os melhores tratamentos para reforçar a qualidade dos cachos que permaneceram”, destaca Stella. Em 2016, Flores da Cunha colheu 111,3 milhões de quilos de uva (2ª maior produção do RS) e produziu 44,8 milhões de litros de vinho.

Segundo relatório da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, o temporal de terça-feira, dia 21, atingiu cinco municípios – além de Flores e Nova Pádua, Caxias do Sul, Osório e Rolante. Os principais danos foram na agricultura florense e paduense, e em 326 residências (10 em Caxias, 10 em Osório e 306 em Rolante), sem registro de pessoas feridas.

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