Seja bem-vinda, primavera

Por Camila Baggio – Camila@jornaloflorense.com.br | 22 de Setembro de 2017 às 16:46

Previsão para a estação que se inicia hoje é de temperaturas na média e chuvas abaixo do padrão

Se você está lendo esta matéria depois das 17h02min desta sexta-feira, dia 22, seja bem-vindo(a) à primavera. A estação mais florida do ano parece ter chegado antes, juntamente com a floração de plantas e o desenvolvimento de culturas agrícolas como as videiras e os pessegueiros. As altas temperaturas também fizeram o inverno sair de cena de fininho, sem nem percebermos. A primavera inicia oficialmente hoje e, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o trimestre, incluindo final de setembro e os meses de outubro e novembro, terá temperaturas mais convenientes com a estação, diferente do inverno, que registrou recordes históricos de calor no Rio Grande do Sul.

E se o final do inverno foi seco, essa condição deve se manter segundo dados do Inmet. As condições de neutralidade da temperatura da superfície do mar indicam o predomínio de um padrão o qual está associado à redução de umidade, principalmente na parte Norte do Rio Grande do Sul. Estas variações no perfil da umidade atmosférica devem influenciar nos padrões de chuva, contribuindo ainda para aumentar as oscilações térmicas. Neste final de setembro, se estendendo para outubro, a previsão é de chuvas dentro do padrão climatológico na maior parte do Estado, exceto os extremos Sul e Nordeste. Para novembro, a tendência é de chuvas acumuladas mensais abaixo do padrão no RS.

O frio que faltou no inverno não deve voltar nos próximos meses. Se em setembro as temperaturas mínimas e máximas estão pouco acima do padrão para o período, para outubro e novembro elas devem se manter mais próximas do padrão na maioria das regiões gaúchas. Gradativamente as temperaturas tendem a aumentarem ao longo do trimestre, contudo curtos períodos com temperaturas baixas poderão ocorrer, a exemplo de setembro.

Otimismo na agricultura

Quando se fala em clima é difícil não pensar no setor agrícola. Mesmo com menos horas de frio, viticultores e produtores de frutas estão animados pelas safras que se desenham no interior. A agrônoma da Emater-RS/Ascar de Flores da Cunha, Clarissa de Quadros, explica que na viticultura as atuais condições do clima favorecem ataques de pragas, o que vem exigindo maior atenção por parte dos agricultores. “Nos parreirais está se observando o ataque de insetos devido às altas temperaturas, principalmente nas encostas onde existe mata. Apesar da antecipação da brotação devido ao calor e ausência de frio, as videiras estão apresentando bom desenvolvimento. Podemos perceber o aumento das áreas com a variedade Bordô”, destaca Clarissa. Outras culturas frutíferas também estão em desenvolvimento, como é o caso do pêssego, que está em fase de raleio no município. “Já as culturas de alho e cebola estão se mantendo. Percebemos neste ano a redução da área de milho devido ao seu baixo preço no mercado”, acrescenta a agrônoma.

Em Nova Pádua, o engenheiro agrônomo Willian Heintze, da Emater-RS/Ascar local, destaca que no geral os produtores paduenses estão satisfeitos com o desenvolvimento de olerículas e plantas frutíferas como o pêssego e a uva. “A falta de chuva deu um ‘apuro’ nos produtores, principalmente em lavouras de cebola e alho, onde a irrigação foi necessária. As frutíferas são um pouco mais tolerantes e não sentiram tanto, exceto em alguns vinhedos em áreas de solos mais secos, onde a brotação está mais desuniforme”, explica Willian. Felizmente, no geral os produtores estão otimistas com a safra que vem se desenhando em parreirais e lavouras. “A brotação da uva está bem padrão e uniforme e a carga de cachos está bem boa, o que deixa os agricultores otimistas para a colheita”, avalia o agrônomo.

Nas variedades menos exigentes de frio, que são a maioria na região, Heintze explica que como o clima logo após a colheita foi favorável para manutenção das folhas, elas conseguiram recuperar bem a energia gasta na safra anterior e recarregar suas reservas. “As videiras estavam bem supridas para poder emitir a brotação atual que está uniforme e satisfatória, com os primeiros cachos se formando e, em breve, as flores. O que esperamos é que não aconteçam frios e geadas tardias, isso resultaria em grandes perdas”, avalia.

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