Boas perspectivas para a safra do alho

Por Danúbia Otobelli – Danubia@jornaloflorense.com.br | 20 de Outubro de 2017 às 10:42

Colheita deve iniciar em novembro. Hoje, Flores da Cunha sedia o 30º Encontro Nacional dos Produtores de Alho para bater ações sobre o mercado e o crescimento do setor

O alho está em evidência. Ao mesmo tempo em que os agricultores do município se preparam para colher a safra deste ano da hortaliça, produtores de todo o país se reúnem hoje, dia 20, para debater o mercado e as perspectivas futuras. O 30º Encontro Nacional dos Produtores de Alho ocorre a partir das 13h30min no salão paroquial de Flores da Cunha. As atividades, que contam com palestras, discussão e planejamento de mercado, giram em torno do tema O Futuro do Alho em Nossas Mãos e terão como eixo principal o atual mercado, as novas tecnologias, o custo da produção e as perspectivas para a safra que inicia no próximo mês.

Os dados preliminares apontam uma colheita semelhante a do ano passado em termos de qualidade. “O alho está na média, não é uma supersafra, mas está dentro da normalidade. No ano passado a colheita se desenvolveu melhor devido ao clima. Porém, o produtor tem adotado tecnologias bem importantes em termos de tratamento e na época do plantio e no preparo do solo. Tem feito todas as atividades conforme as técnicas e tem tudo para termos uma safra boa”, aponta o presidente da Associação Gaúcha de Produtores de Alho (Agapa) e do Sindicato dos Trabalhadores Rurais (STR), Olir Schiavenin.

De acordo com a conjuntura da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher 131,6 mil toneladas de alho, uma redução prevista de –0,5% na comparação com o ano passado, quando a produção ficou em 132,3 mil toneladas. No Rio Grande do Sul essa redução deve ser maior. A perspectiva é de uma safra com 15,8 mil toneladas, um decréscimo de –4,2%. Conforme os dados, o Estado vem reduzindo a sua produção a uma taxa média anual de –1,3% entre 2012 e 2016.

Em Flores da Cunha não tem sido diferente. Segundo o levantamento da Produção Agrícola Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município colheu 620 toneladas de alho em 2016, numa área de 62 hectares. Em comparação com 2015, a redução da área plantada foi de 11%, enquanto que em relação a 2014 o decréscimo é de 27% – vale destacar que muitos produtores de Flores da Cunha têm áreas cultivadas em outros municípios, principalmente em Ipê. Em Nova Pádua, a produção se manteve estável nos últimos três anos. Foram 960 toneladas em 120 hectares plantados.

Embora a colheita ainda não tenha começado, de acordo com o boletim semanal da Emater-RS/Ascar, as lavouras têm mostrado um bom desenvolvimento e sanidade, mesmo apresentando um aspecto desuniforme. “As chuvas dos últimos dias vieram amenizar as altas temperaturas e o déficit de umidade. Estas condições de calor e secura beneficiam as plantações por reduzir a incidência de fitopatias, mas por outro lado favorecem o surgimento e ataques de pragas, como ácaros e trips”, relata o boletim.

Encontro

Um dos objetivos do Encontro Nacional dos Produtores de Alho é conscientizar a todos sobre a importância do setor e apresentar análises da produção e do mercado. Os temas abordados visam a proteção nacional da produção, a manutenção da taxa antidumping e do produto na Letec. “Em 2018, irá vencer a taxa antidumping e nós precisamos que o agricultor se conscientize da relevância em valorizar as associações para que tenhamos condições de continuar levando adiante essa luta. Cada Estado presente irá fazer uma radiografia da sua produção e também faremos uma perspectiva do mercado internacional. Sabemos que aumentaram as áreas de plantio em todo o mundo, especialmente na China, Espanha e Argentina, que são os mais vendem para o Brasil. Por isso, estamos lutando para que se mantenham as medidas de proteção para que possamos ser competitivos e tenhamos uma remuneração maior”, explica Schiavenin.

O Brasil produz anualmente 140 milhões de quilos, sendo que o consumo nacional é de quase 300 milhões. O país responde por 45% do consumo, o restante é complementado pelo alho importado. O 30º Encontro Nacional é realizado numa parceria entre a Anapa e a Agapa, com apoio da Secretaria Municipal da Agricultura, do Conselho Municipal da Agricultura, da Emater-RS/Ascar e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Programação

13h30min – Credenciamento.

13h45min – Abertura do 30º Encontro Nacional dos Produtores de Alho.

14h – Palestras: Cultivo do Alho, com o agrônomo da Emater Eri Zanella da Emater e Fabiano Varela diretor de Agricultura e Meio Ambiente de São Marcos; Panorama do Mercado Atual, com o engenheiro agrônomo Marco Antônio Lucini. Após, haverá pronunciamento do presidente da Anapa, Rafael Jorge Corsino, seguido de um painel sobre atuação da Anapa.

16h15min – Espaço para as associações.

16h30min – Talk show e bate-papo com lideranças.

18h – Encerramento e visitação à exposição de máquinas.

19h – Jantar com os participantes – gratuito.

 

Fonte: STR.

 

Irrigação contribuiu para a produção

O produtor de Nova Pádua Jorge Reginato, 51 anos, está otimista com a safra de alho deste ano. Na sua propriedade no Travessão Accioli ele planta 1 hectare da hortaliça e possui um sistema de irrigação por gotejamento que o ajudou a produzir mais. Implantada há cinco anos, a irrigação especial teve um investimento de mais de R$ 10 mil, mas contribuiu para o produtor colher cerca de 2 mil quilos a mais. “Antes da utilização de irrigação por gotejo no mesmo hectare produzíamos 8 mil quilos de alho, com ela passamos a colher 10 mil quilos”, conta o produtor, que complementa: “Tem dado um retorno positivo, com menos danos, maiores facilidades, um aproveitamento melhor e também com mais qualidade”.

Como a cultura necessita de irrigação controlada, já que se em excesso ou falta de água pode causar o aparecimento de doenças ou comprometimento da produtividade, o sistema de gotejo é monitorado pelo próprio agricultor, quando é destinado 1,6 litro de água por hora na plantação, que está dividida por lotes.

Para este ano, Reginato e o filho Julio, de 18 anos, que cursa Agronomia, espera colher uma safra semelhante a de 2016, quando foram produzidos 10 mil quilos. “A perspectiva é boa, a chuva dos últimos dias não prejudicou nada. Agora é aguardar que o tempo permaneça bom até o final de novembro”, pontua o produtor, que comercializa o alho em Flores da Cunha e Nova Pádua.

 

 

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